quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Aprendi desde criança que mandar alguém calar a boca é falta de educação.


Sem linha telefônica e com um rei atravessado na garganta...


Logo hoje que eu acordei inspirada em "tecer considerações" sobre o golpe militar comemorado nesta data - também chamado de Proclamação da República, a linha telefônica do meu computador ficou muda e fora da banda larga.
Acabam de ser restauradas.

Res publica significa coisa do povo. Na res publica de 15 de novembro o povo não
participou e continua sem participar até hoje. Assiste aos mandos e desmandos e, com uma inacreditável resignação diante das tragédias, declara para as câmaras da Globo:
- Foi a vontade de Deus!!
- Se Deus quiser vamos dar um jeito.
Como se o Deus deles fosse um sádico.

Ah! E eu também queria escrever sobre aquele rei arrogante, criado pelo sanguinário Franco, a quem os espanhóis, e os só não espanhóis, como minha brasileiríssima filha Ana, adoram de paixão.

Peço antecipadas desculpas aos espanhóis da minha família: neta, genro e
seus pais, pessoas que amo e amo muito, mas escrevo o que penso ser justo.

- Já não basta terem saqueado como piratas o ouro do novo continente?
- Não se envergonham de terem dizimado culturas com a, dos incas com
crueldade?

Atualmente, eles compram, com a empáfia dos capitalistas, os nossos melhores jogadores de futebol. Mas se os “nossos ídolos” se vendem, nada podemos argumentar.

Talvez seja necessário comentar que a presença econômica espanhola anda ocasionando um crescente mal-estar na América Latina. É um fato.

- Mas sermos tratados como súditos é indesculpável!

Precisamos explicar aos espanhóis que, apesar de ter sido através de golpe
militar, somos uma República desde 1889 – e que já não existem monarquias
na América Latina.

- Entonces, Juanito? Porque não manda calar a boca de alguns bascos?
Faça o que bem entender dentro dos limites do seu poder mas, por favor,
como diria o Chico Buarque, com mais poesia e elegância:
- Afasta de mim este Cale-se!!!

Para quem foi criado com uma educação primorosa, como eu pensava até
então, o Juan comportou-se na 17ª Cúpula Ibero-Americana como um “rei” mal-educado, prepotente e preconceituoso. Ordenou a um Presidente da República, eleito pelo povo, que se calasse porque o mesmo se referiu ao seu ex-ministro Aznar, como um fascista, o que ele, reconhecidamente, é.
Para quem não sabe, Aznar deu ordens ao embaixador da Espanha em Caracas para que apoiasse o golpe contra Cháves em 2002.
- Será que o rei da Espanha queria que Cháves tecesse elogios à Aznar? Ou que não se referisse a este episódio que envergonha a democracia?

Lá do fundo do inferno, o generalíssimo Franco deve estar se sentindo
orgulhoso!!!

Nédier

sábado, 10 de novembro de 2007

Poema em Linha Reta - Fernando Pessoa/Álvaro Campos

POEMA EM LINHA RETA
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Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
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E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
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Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
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Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
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Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
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Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
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Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
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Foto do poeta na juventude.
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Dedico esta página à Marisa Giglio, uma mulher sensível que faz pps.s maravilhosos e que me mandou este poema, sem imaginar que ele é um dos que mais amo entre os tantos do Fernando Pessoa

terça-feira, 30 de outubro de 2007

"O Filho Eterno" - Cristovão Tezza

"O Filho Eterno"/ Editora Record
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Cristovão Tezza
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Meus amigos,

Já há algum tempo vinha transferindo uma “obrigação”: - comprar o livro
“O filho Eterno” do Cristovão Tezza.
As críticas afirmavam que era um bom livro, mas na mesa de cabeceira de minha cama três livros comprados - e ainda não lidos - “olhavam” para mim com uma acusação:
- Você é uma leitora compulsiva!
E uma ordem:
- Vai nos ler ou não vai?

Acontece que eu ainda estava lendo outros dois bons livros e a compra de “O Filho Eterno” foi sendo adiada.
Em uma tarde dessas de “puro ócio puro”, liguei a televisão (não sei se na TV Câmara ou TV Senado) e lá estava o Tezza, falando sobre sua obra em frente a uma platéia atenta para, em seguida, responder a algumas perguntas.

De imediato me apaixonei por aquele homem.
Ele nem precisaria ser bonito, mas é.
A sua erudição ultrapassava tudo que eu poderia imaginar - principalmente vinda de alguém quase de minha geração (sou mais velha que ele) e que, ainda por cima, mora em Curitiba (quem não tem preconceito?).
Quanto mais eu ouvia, mais ficava fascinada.
Meu marido sempre diz que as minhas paixões e as minhas implicâncias são imediatas, irreversíveis e que perduram para sempre - ou melhor - é provável que perdurem enquanto eu viver.

Eu já tinha lido o “Trapo”, e gostado muito, mas nunca tinha tido a curiosidade de saber como e quem era o escritor.

Vivo entocada, não gosto de sair por sair. Vou só onde é necessário.
Terminado o programa, eu tive a “necessidade absoluta” de ir ao shopping Mueller e entrar em uma livraria - como faço como se fosse um robô teleguiado que obedece ao chamado dos livros (eles me chamam pelo nome).
Procurei “O Filho Eterno” nos livros expostos na vitrine e naqueles stands onde ficam os mais lidos, os melhores, e outros mais. Não encontrei.
Perguntei ao vendedor e ele me encaminhou até uma estante onde ele estava.
Fiquei irritada:
- Por que é que não está na vitrine? O Cristóvão Tezza é um grande escritor daqui (eu me referia à minha Curitiba, embora sabendo que o escritor nasceu em Lajes - SC).
Só quando vi que já era a segunda edição me acalmei. Fui eu quem demorara em comprar.

Um livro pequeno, de capa vermelha, que eu trouxe dentro de uma sacola de plástico como se fosse um troféu à minha indisciplina literária.
Antes de colocá-lo na pilha dos livros a ler resolvi dar uma lida no primeiro capítulo para perceber se o estilo tinha mesmo aquele jeitão irresistível do escritor. Só consegui largá-lo depois de lida a página final.

O escritor, na entrevista, citara uma expressão com a qual o Nelson Rodrigues aconselhava os jovens:
- Envelheçam.

Por analogia, eu gostaria de ter o dom de ser obedecida por todos, para - sem precisar escrever sobre este livro de indiscutível qualidade - apenas ordenar:
- Leiam!!!

Mas ainda falta uma informação. Se você chegou até aqui, deve ter percebido que sempre li, e muito – e, acrescento ainda, de todos os tipos, desde os francamente ruins até os clássicos indiscutíveis. Sei que este comentário, a esta altura, parece desnecessário - mas sua finalidade é apenas dar embasamento ao que acho de "O Filho Eterno":
- O melhor livro que já li!!
Nédier
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Leiam sobre o autor:
http://www.cristovaotezza.com.br/
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Outras críticas sobre o livro:
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Cristovão Tezza - O Filho Eterno: tinha tudo para dar errado. Assim que soube, acho que já há uns dois anos, que Cristovão Tezza estava escrevendo um romance sobre seu filho com Síndrome de Down, imaginei que viria ou algo inevitavelmente piegas ou uma pálida versão de Uma Questão Pessoal, do japonês Kenzaburo Oe. Enganei-me: O Filho Eterno é não só o melhor livro de Tezza, mas uma das melhores obras publicadas no Brasil nos últimos anos. Mais do que uma história sobre uma criança defeituosa, é a formação de um homem imaturo, patético até, tentando encontrar rumo para a sua carreira como escritor, como marido, como pai. Há semelhanças sim com o livro de Oe, sem soar como caricatura: Tezza parece mais influenciado por Thomas Bernhard, pela falação raivosa (uma espécie de primeira pessoa travestida em terceira) e pela estrutura circular, alternando narração e digressão - rápidos ensaios sobre arte, a sociedade e a situação do país, este último um tema pouco e mal explorado por nossos autores. Como o próprio Tezza admitiu, faltava a ele um equilíbrio maior entre os romances cerebrais (como O Fotógrafo e Breve Espaço Entre Cor e Sombra) e os emocionais (como Trapo). Agora não falta mais. (Jonas Lopes)
http://gymnopedies.blogspot.com/

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http://doidivana.wordpress.com/2007/09/16/o-filho-eterno/
http://diplo.uol.com.br/2007-10,a1972

domingo, 28 de outubro de 2007

A Bailarina

Nine Ricciardi
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Bailarina
.. .
A cada pirueta que você dá
um tom de violeta
inunda o seu bailar
fico encantado ao vê-la voar
em seu grand-jeté
como eu queria ser o seu par
queria o meu destino junto ao seu dom
e o estilo manuelino
no que tem de bom
pra erigir um belo altar
na intenção de entronizá-la
no lugar de uma deusa
sou um barco navegando
alto-mar por você
a me desbravar sem medo
com um desejo incontido
invadindo a canção
crepuscular estação
do amor não correspondido
tal como o sol
no arrebol
eu morro com vida
plié aqui
jeté ali
socorro, querida
quero viver
só pra você
de hoje
pra sempre
.
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Djavan

Nine Ricciardi, uma bailarina

Escola do Teatro Bolshoi Brasil.
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"O Ballet é a representação cênica em que combina dança (bailado), música, pantomima, cenário e figurinos para dar a um enredo ou argumento (libreto) interpretação visual tão completa que dispensa a palavra.
A Dança é o centro do espetáculo.
Tudo o mais lhe é acessório."

Escola do Teatro Bolshoi Brasil.

Meus amigos,
Eu amo o ballet, mas não me sinto capaz de escrever sobre a beleza, a graça e principalmente sobre o talento de Stephanine Ricciardi, a Nine. Apenas afirmo, e com convicção, que esta é uma das jovens bailarinas mais promissoras do Ballet Brasileiro.
Vou deixar que Nine Ricciardi fale sobre ela mesma em um depoimento singelo, transcrito abaixo, que me emocionou.
Nédier


Nine Ricciardi


Graças a Deus sou uma pessoa que foi gerada e esperada com muito amor por meus pais. Amo a minha família e sou amada por ela.

Meus pais, meu mano e meus avós, nunca deixaram de me ajudar a sonhar.


Minha maior paixão é o BALLET!


Eu cedo descobri o que desejava ser na vida - uma bailarina!

E quando descobri não medi esforços para aprender a dançar, para solicitar ajuda a diversos professores que me ensinassem e ensaiassem muito para eu conseguir passar e entrar na Escola do Teatro Bolshoi Brasil.
A todos eu serei sempre grata.

Depois que passei nos testes e entrei na "minha casa" eu procurei e procuro aprender o máximo que me ensinam e levar comigo todo o aprendizado que eles me passam.

Por onde eu andei/ando, eu fiz/faço muitos amigos e a todos eu agradeço o apoio que sempre me deram/dão.

Eu acredito no poder do querer e do saber. Só ele, com muita dedicação e com muito trabalho, pode realizar o que se quer.

Tenho muita fé e oro sempre para que Deus me conceda o que sempre desejo e sonho na vida.

Agradeço à Deus as conquistas e as derrotas que até agora tive,através delas aprendi muito.

Aprendi não desistir nunca e sempre a continuar a buscar os sonhos.

Nine

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"Quando alguém encontra seu caminho,precisa ter coragem suficiente para dar passos errados.As decepções, as derrotas, o desânimo são ferramentas que Deus utiliza para mostrar a estrada certa."
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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Reginaldo Bessa e o Tempo.

“O tempo não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém "


Meus amigos,
Um dia destes um amigo me deu um sábio conselho:

“As vezes é preciso arrumar o sótão (ou o porão) e jogar muita coisa fora. Coisas que impedem ou, no mínimo, atrapalham o nosso caminhar na estrada do tempo.”
Ele me enviou, sem saber de minha admiração pelo compositor Reginaldo Bessa,a letra/poesia da música "O Tempo". Resolvi compartilhar com vocês.

"Reginaldo Bessa é um compositor de música e letra, violonista e cantor. Ele é um artista que sempre manteve acesa a chama de nossa cultura, um carioca da gema em todos os sentidos, raiz e fruto do Rio de todos nós."

Abaixo coloquei o endereço de seu site. Vale a pena acessá-lo e saber um pouco sobre este homem maravilhoso e sua obra.

Nédier

Reginaldo Bessa
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O Tempo

O tempo não é , minha amiga aquilo que você pensou
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As festas, as fotos antigas as coisas que você guardou


Os trastes, os móveis, as tranças, os vinhos, os velhos cristais


As doces canções de criança, lembranças , lembranças demais


O tempo não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém


Você vem deitar no meu ombro querendo de novo ficar


Eu olho e até me assombro como pode esse tempo passar


O tempo é areia que escapa até entre os dedos do amor


Depois é o vazio , é o nada, é areia que o vento levou


O tempo não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém


O medo correndo nas veias deixou tanta vida pra trás


E a gente ficou de mãos cheias com coisas que não valem mais


E fica um gosto de usado naquilo que nem se provou


A gente dormiu acordado e o tempo depressa passou


O tempo não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém




Ouça a música no site de no site de Beatriz Kauffmann clicando em O Tempo
http://www.beakauffmann.com/mpb_o.html

Enquanto a Bossa Nova, no início dos anos 60, a partir do eixo Rio- Nova York, ganhava os aplausos do mundo, um brasileiro solitário em Buenos Aires cumpria também o seu papel.
Em dezembro de 1962,REGINALDO BESSA iniciava, na CBS Argentina, a gravação do seu LP Amor em Bossa Nova.
Esse foi seguramente o primeiro disco de Bossa Nova gravado por um brasileiro no exterior, contando apenas com músicos locais, tendo que ensinar a eles a batida sincopada do samba, do balanço, do gingado verde-amarelo.
Não foi uma tarefa fácil.
Foi preciso até trocar de maestro depois de seis músicas já gravadas e começar tudo de novo. Afinal o disco saiu em março de 1963 e Bessa divulgou seu trabalho durante um ano inteiro em rádio, TVs e casas noturnas. Foi uma época de muitas realizações mas por razões pessoais ele teve que retornar ao Brasil em 1964.
Esse disco emblemático, em sua quase totalidade constituído com repertório próprio, não foi apoiado pela CBS brasileira, que fez Bessa gravar outro tipo de música em 1965.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Dalton Trevisan, eis o contista!!



Hoje de manhã fiquei emocionada ao ler, no Caderno G do jornal “Gazeta do Povo”, um texto de Dalton Trevisan, sobre a sua visão da literatura, escrito com frases retiradas de seus contos. Eu conhecia a maioria delas, porém, com sua genialidade incomparável, Dalton Trevisan conseguiu - com o que seria apenas uma “colcha de retalhos” - compor uma obra-prima. Nada mais lindo e emocionante do que este breve texto, onde o melhor contista contemporâneo, escreve sobre o contista!

Nédier
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Eis o Contista!


"Sua foto mais conhecida: a tirada por um repórter com teleobjetiva atrás de uma árvore em uma tarde de outono”

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Na quinta edição do prêmio Portugal Telecom, um dos vencedores estava ausente: o paranaense Dalton Trevisan premiado por seu livro de contos “Macho não ganha Flor”.
Ele foi representado pela editora de imprensa da Editora Record, Gabriela Máximo.
O “vampiro de Curitiba” não dá entrevistas tampouco comparece a eventos literários. Mas surpreendeu a platéia ao enviar um texto sobre a sua visão da literatura (na verdade, uma colagem de frases retiradas de seus contos):

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“Só a obra interessa. O autor não vale o personagem. O conto é sempre melhor que o contista. Vampiro sim, de almas. Espião de corações solitários, escorpião de bote armado. Eis o contista. Só invente o vampiro que exista. Com sorte, você adivinha o que não sabe. Para escrever mil novos contos a vida inteira é curta. Uma história nunca termina. Ela continua depois de você. Um escritor nunca se realiza. A obra é sempre inferior aos sonhos.Refazendo as contas percebe que que negou o sonho, traiu a obra, cambiou a vida por nada. O melhor conto só se escreve com a tua mão torta, teu avesso, teu coração danado. Todas as histórias, a mesma história, uma nova história. O conto não tem mais fim senão começo. Quem me dera o estilo do suicida em seu último bilhete.”
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Sobre o Dalton Trevisan

“As histórias de Dalton Trevisan, um dos melhores contistas brasileiros contemporâneos, reproduzem um cotidiano angustioso numa linguagem direta e popular.
Dalton Trevisan nasceu em Curitiba PR, em 14 de junho de 1925.
Formado pela Faculdade de Direito do Paraná, liderou em Curitiba o grupo literário que publicou, em 1946, a revista Joaquim (em homenagem a todos os Joaquins do Brasil).
A publicação, que circulou até dezembro de 1948, continha o material de seus primeiros livros de ficção, entre os quais “Sonata ao luar” (1945) e “Sete anos de pastor” (1948).
Em 1954, publicou
“Guia histórico de Curitiba”,
“Crônicas da província de Curitiba”,
“O dia de Marcos” e
“Os domingos ou Ao armazém do Lucas”,
edições populares à maneira dos folhetos de feira.
A partir da gente de sua cidade, chegou a uma galeria de personagens e situações de significado universal, em que as tramas psicológicas e os costumes são agudamente recriados por meio de uma linguagem precisa e de sabor genuinamente popular, que valoriza os mínimos incidentes de um dia-a-dia sofrido e angustioso.
Publicou também
“Novelas nada exemplares” (1959),
“Morte na praça” (1964),
“Cemitério de elefantes” (1964) e
“O vampiro de Curitiba” (1965).
Isolado dos meios intelectuais, Trevisan obteve, sob pseudônimo, o primeiro lugar do I Concurso Nacional de Contos do estado do Paraná, em 1968.
Escreveu depois
“A guerra conjugal” (1969),
“Crimes da paixão” (1978) e
“Lincha tarado” (1980).
Em 1994, publicou
“Ah é?”,
obra-prima de seu estilo minimalista.
Além de escrever, Trevisan exerce a advocacia e é proprietário de uma fábrica de vidros.”

http://www.brasilcultura.com.br/conteudo.php?id=722&menu=95&sub=747