quarta-feira, 19 de setembro de 2007

" ...a gente vai contra a corrente, até não poder resistir..."

imagem: confesso (helena margarida pires de sousa)



Roda Viva

(1967)

Tem dias que a gente se sente,
Como quem partiu ou morreu,
A gente estancou de repente,
Ou foi o mundo então que cresceu.

A gente quer ter voz ativa,
No nosso destino mandar,
Mas eis que chega a roda viva,
E carrega o destino pra lá.

Roda mundo, roda-gigante,
Roda moinho, roda pião,
O tempo rodou num instante,
Nas voltas do meu coração.

A gente vai contra a corrente,
Até não poder resistir,
Na volta do barco é que sente,
O quanto deixou de cumprir,
Faz tempo que a gente cultiva,
A mais linda roseira que há,
Mas eis que chega a roda viva,
E carrega a roseira pra lá.

Roda mundo, roda-gigante,
Roda moinho, roda pião,
O tempo rodou num instante,
Nas voltas do meu coração.

A roda da saia, a mulata,
Não quer mais rodar, não senhor,
Não posso fazer serenata,
A roda de samba acabou,
A gente toma a iniciativa,
Viola na rua, a cantar,
Mas eis que chega a roda viva,
E carrega a viola pra lá.

Roda mundo, roda-gigante,
Roda moinho, roda pião,
O tempo rodou num instante,
Nas voltas do meu coração.

O samba, a viola, a roseira,
Um dia a fogueira queimou,
Foi tudo ilusão passageira,
Que a brisa primeira levou,
No peito a saudade cativa,
Faz força pro tempo parar,
Mas eis que chega a roda viva,
E carrega a saudade pra lá....á á á á

Roda mundo, roda-gigante,
Roda moinho, roda pião,
O tempo rodou num instante,
Nas voltas do meu coração.

Ouça a canção no endereço abaixo:

http://www.paixaoeromance.com/60decada/roda_viva/h_roda_viva.htm


Música: Roda Viva
Autoria: Chico Buarque de Hollanda
Interpretação: Chico Buarque e MPB4

domingo, 16 de setembro de 2007

Poesia providencial


Desculpa, moço,
Mas daqui não passo.

cansei de catar estrela
em fundo de lodaçal...
na crença de que o bem
um dia venceria o mal...

Desculpa, moço,
Mas daqui não passo...



Esta poesia foi feita de improviso e em minha homenagem

pela grande poeta e amiga.




sábado, 15 de setembro de 2007

Revista Veja Edição 2026

Brasil
Os números da vergonha
Protegidos por uma sessão secreta, com o apoio do governo e o aval do PT, senadores condenama ética e absolvem Calheiros
Foto-montagem: Lula Marques-Folha Imagem
Com acordos às escondidas, ameaças, chantagens e protegido pelo anonimato, um grupo de 46 senadores desferiu na semana passada um golpe letal contra a credibilidade do Senado Federal e dos políticos em geral.
Ao absolverem o senador Renan Calheiros da acusação de quebra do decoro parlamentar, os 46 senadores (os quarenta que votaram contra a cassação e os seis que se abstiveram) autorizaram um novo padrão de conduta para os nobres do Parlamento brasileiro – o pode-tudo.
De agora em diante, estabeleceu-se o consenso entre a maioria de que não existe nada de mais no fato de um parlamentar, como Renan Calheiros, usar um lobista de empreiteira para pagar suas despesas pessoais.
Não é da conta de ninguém tentar saber de que forma um senador, como Renan Calheiros, conseguiu fazer fortuna na política.
Está liberado de possíveis constrangimentos qualquer um que, como Renan Calheiros, queira fazer negócios usando malas de dinheiro de origem desconhecida.
Ficam autorizados a apresentação de notas frias, o uso de bois-fantasma, a invenção de empréstimos para, assim como Renan Calheiros, tentar justificar contas que não fecham.
Na sessão secreta que absolveu Renan Calheiros, além de massacrarem a ética, os 46 senadores também viraram as costas para a sociedade, envergonharam o Parlamento e reduziram o Senado ao mesmo patamar moral do presidente Renan Calheiros.

"A era dos grandes tribunos, referências éticas do Parlamento, que dividiam o Senado com a massa ignara, acabou há tempos", diz Octaciano Nogueira, professor de ciência política da Universidade de Brasília.
"Hoje, resta-nos somente a massa ignara."

De fato, nos últimos meses, principalmente depois da crise gerada pelas acusações contra o presidente Renan Calheiros, personagens bizarros, como os senadores Wellington Salgado, Almeida Lima e Sibá Machado, assumiram posições de destaque no palco dos debates.

São figuras sem propostas, sem idéias e até sem votos.

O peemedebista Wellington Salgado e o petista Sibá Machado são suplentes que assumiram o mandato na ausência dos titulares.
Como eles, há outros onze reservas que não devem explicações a ninguém e acabam muitas vezes se prestando ao papel de vassalos de interesses diversos.
Esses personagens descompromissados ajudaram Renan Calheiros a escapar da cassação, alguns apenas em troca de pequenos favores.
Mas eles não estavam sós.
Na surdina, o governo e o PT se associaram a Renan para costurar um acordo que garantiu a salvação do mandato do senador – desta vez à custa de grandes e dispendiosos favores, com ingredientes de chantagem e ameaça e com a participação de personagens conhecidos pela atuação heterodoxa no submundo da política.

MERCADANTE
O senador eleito com 10 milhões de votos foi reduzido a tarefeiro do partido na batalha contra a moralidade. Uma pena.

A VERSÃO

O senador petista garantiu que não pediu votos para Renan Calheiros nem participou de nenhum acordo para absolver o colega peemedebista.

O FATO

Além de se abster da votação, o que ajudou a salvar Renan, o senador fez campanha intensa pela absolvição, inclusive garantindo a aliados que Renan deixaria a presidência.


De volta a Brasília, José Sarney e Walfrido decidiram pela tacada final. Ainda do avião, um Legacy da FAB, Walfrido conversou com o senador Aloizio Mercadante e Sarney passou o recado às lideranças no Congresso.
Alertaram sobre o placar apertado e combinaram de procurar Renan com a seguinte proposta: caso ele sinalizasse que se afastaria temporariamente do cargo após a votação, o governo e o PT trabalhariam no plenário para absolvê-lo.
Já era madrugada de quarta, dia da votação, quando o grupo desembarcou na base aérea.
Sarney levou a proposta de afastamento ao presidente do Congresso, que, de início, hesitou, mas acabou aceitando depois de receber a garantia de que não haveria traição entre os petistas.
Ficou combinado que os senadores petistas iriam se abster, uma forma de identificar o voto.
Nas contas dos aliados, era preciso convencer ao menos dez senadores a fechar com a absolvição.
No plenário, coube ao senador Mercadante difundir a versão de que a cassação de Calheiros se resumia a uma disputa política que só interessava à oposição.
Os petistas, porém, não precisam mais de justificativa alguma.
"Com discursos assim vocês da oposição nunca vão ganhar da gente", ironizava o senador petista João Pedro, criticando abertamente os que defendiam a cassação. Uma semana antes, o próprio João Pedro havia votado contra Renan Calheiros no Conselho de Ética.

Com os petistas no bolso, bastaram algumas operações laterais para sacramentar a vitória de Calheiros.
Sabe-se que Renan e seus aliados conseguiram buscar votos na oposição, à custa de chantagem, cobrança ou promessas de favores.
Senadores que se diziam indecisos em público fizeram pacto de sangue com Renan no privado.
O tucano Papaléo Paes, por exemplo, chegou a dar entrevistas a favor da cassação. No plenário, ajudou Roseana Sarney a contabilizar votos a favor de Renan.
Houve traições mais sórdidas.
Um senador da oposição, que zelou como se fosse um xerife pela aprovação do processo de cassação, procurou o presidente do Congresso e lhe confidenciou que sua posição não passava de um teatro para seus eleitores.
Ele estava agradecido pelo belo emprego no governo que Renan arrumou para um de seus filhos.
Enquanto isso, em outro flanco, Gilberto Miranda, o empresário rico e recém-casado, pegou um jato para Brasília e continuou as conversas com os senadores.
No plenário, o peemedebista Wellington Salgado avisava: "Tá rolando grana, tá rolando muito argumento".
Um senador que ouviu o comentário ainda perguntou do que se tratava. Salgado repetiu: "Tá rolando argumento", explicou, esfregando o polegar no dedo indicador, sinal clássico que significa dinheiro.
Absolvido, Renan, conforme o combinado, pegou a família e foi descansar em Maceió. Ele ainda terá de responder a outros três processos. O governo, satisfeito, comemorou discretamente.
Os petistas, covardes, foram vistos se jactando no fundo do plenário logo depois da sessão.
José Sarney embarcou para Natal, onde foi lançar um livro.
Gilberto Miranda, com a missão cumprida, retomou sua lua-de-mel.
E o Senado...
E a opinião pública...
E o Conselho de Ética.
...Que se danem.
O que interessa são os "argumentos...".

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

As feias que me perdoem...

Mas a beleza é fundamental !!
Senão o porquê de tanta paciência e de tanto riso quando a Tonica, cheia de leveza e graça desliga o meu telefone, desconecta o computador, entra nas gavetas que abrimos para pegar nossa roupa, entra no guarda-roupa, em qualquer armário, sobe nas prateleiras... Joga o estojo de minhas lentes de contato e fica brincando de rodá-lo com a sua patinha. Escala até o teto as paredes da sala que são revestidas de tecido. Balança-se nas cortinas do meu quarto. Entra todos os dias dentro de um cachepô de madeira jogando fora o arranjo de flores para ficar lá dentro toda encolhida.
Come diariamente uma parte do jornal que o Ode lê pela manhã na cama .
A lista dos estragos que faz todos os dias é grande e variada.

Não obedece NUNCA.

Se esconde e nos obriga a procurá-la pela casa, só dá sinal de vida - um miau queixoso - quando ouve minha voz.
Se enrola, se enrola até se acomodar nos lugares mais inusitados.
Adora dormir no colo do Ode, em cima de mim, na curva de minha cintura quando estou deitada de lado assistindo televisão, estou tão acostumada que nem sinto a sua presença. Se eu sento na minha cama para ler ou rezar ela se acomoda no meio das minhas pernas e dorme ronronando como a gatinha que é.

Ela estava para ser dada pra quem quisesse e minha filha foi buscá-la para mim, quando eu chorava sem parar porque o Zeca, meu poodle tinha fugido de casa (depois de dias e anúncios em jornal e rádio foi encontrado).
Até então nós nunca tínhamos convivido com um gato.
O Ode jamais permitiu, ele dizia que não suportava gatos e hoje reconhece que estava enganado. A primeira coisa que faz quando chega em casa do trabalho é perguntar por ela.

A Tonica alterou com a sua leveza, com sua beleza, com a sua não subserviência todo o clima de minha casa. Tudo ficou mais alegre e engraçado. Ela nos tornou mais tolerantes e bem-humorados:

- Não adianta brigar, ela não entende. - dizemos um para o outro..
- Não adianta mandar, ela não obedece...

- Coitadinha, ela não sabe que não pode subir na mesa e ficar cheirando os alimentos...
- Ela não pretende rasgar e comer o jornal. Ela só quer brincar e chamar nossa atenção.

- Ela adora brincar quando eu arrumo a cama - diz a Rosane, minha auxiliar - parece uma bolinha andando debaixo das cobertas . Demoro mais para arrumar o quarto mas me divirto.
- Ela é tão lindinha! - acrescenta sorridente.

Pois é.

Nédier

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Sua TV não mostrou



Sua TV não mostrou:
Fazendeiros mantiveram jornalistas estrangeiros em cárcere privado.
veja o vídeo

A fronteira agrícola avança, comendo a floresta pelas bordas.É uma notícia de grande interesse para o público brasileiro e mundial.
Mas...parem as máquinas.

Fazendeiros de Mato Grosso mantiveram jornalistas estrangeiros e ativistas do Greenpeace em cárcere privado na cidade de Juína e ninguém noticiou?
Cadê o Repórteres Sem Fronteiras?
Nada.
O Instituto Prensa y Sociedad, aquele que vigia o Hugo Chávez?
Nada.
Ah, entendi, proteger ESSES JORNALISTAS não interessa, né?
Eles fazem "proteção seletiva" de jornalistas, assim como existe a repercussão seletiva de capas.
E a Globo, especificamente, só noticia o que for contra quilombolas e ampliação ou demarcação de reservas indígenas.Só falta distribuir os mandamentos do TESTANDO HIPÓTESES em pedra.O vídeo que você não viu na TV brasileira está num daqueles blogs que o Estadão abomina:
http://www.escriba.org/novo/

Ou diretamente no You Tube:

http://br.youtube.com/watch?v=q9esNX7bzHYA

A imagem lá em cima, mostrando o avanço da agricultura sobre a floresta, foi feita pelo fotógrafo francês que fazia parte da expedição.As fotos estão aqui:

http://www.lejdd.fr/slide/rubrique/44/148/1525.html

O Greenpeace divulgou no site da entidade:

"O Greenpeace e a organização indigenista Opan (Operação Amazônia Nativa) pediram hoje ao Ministério Público Federal a apuração dos graves incidentes ocorridos há dois dias em Juína, no Mato Grosso, que resultaram na expulsão, por fazendeiros, de um grupo de representantes da Opan, ativistas do Greenpeace e dois jornalistas franceses.Entre os ambientalistas estava o coordenador do Greenpeace na Amazônia, Paulo Adario.Cópias de duas horas de imagens em vídeo documentando ameaças, ofensas e o processo de expulsão do grupo foram entregues agora à tarde ao Procurador Federal da República em Mato Grosso, Mário Lúcio Avelar.[...]"


"É inaceitável que fazendeiros, com o apoio de autoridades locais, cerceiem a liberdade que todo cidadão tem de ir e vir e revoguem a Lei de Imprensa, cassando o direito de jornalistas exercerem sua profissão com segurança".

O grupo do Greenpeace, da Opan e os jornalistas franceses foram expulsos por fazendeiros na segunda-feira pela manhã (20/08), depois de ser mantido durante toda a noite sob vigilância em um hotel da cidade. O grupo de nove pessoas estava de passagem por Juína e seguia em direção à terra indígena Enawene-Nawe.O objetivo da viagem era documentar áreas recém-desmatadas, além de mostrar a convivência de um povo indígena que vive de agricultura e pesca com a floresta e seu papel em preservar a biodiversidade.No final da tarde de domingo, fazendeiros abordaram integrantes das duas organizações no hotel onde estavam hospedados, querendo saber quem eram e o que estavam fazendo em Juína.A área onde está localizada a terra indígena está em disputa entre os Enawene Nawe e os fazendeiros e expressa o conflito da expansão agrícola sobre áreas protegidas e territórios de povos indígenas.[...]


Os fazendeiros, por sua vez, alegam que a terra é deles e estão dispostos a lutar para mantê-las.
Eles se mostraram muito irritados quando souberam que jornalistas integravam o grupo que estava no hotel.
Na manhã seguinte, o local foi cercado por dezenas de fazendeiros e o presidente da Câmara Municipal, vereador Francisco Pedroso, o Chicão (DEM), que exigiam esclarecimento sobre os objetivos dos visitantes.
O grupo foi levado à Câmara Municipal, onde uma sessão especial foi rapidamente organizada.Estavam presentes o prefeito da cidade, Hilton Campos (PR), o presidente da Câmara, o presidente da OAB, o presidente da Associação dos Produtores Rurais da região do Rio Preto (Aprurp), Aderval Bento, vários vereadores e mais de 50 fazendeiros. E também a polícia.
Durante seis horas, os fazendeiros e repetiram que a entrada do grupo na terra Enawene Nawe não seria permitida e que seria "perigoso" insistir na viagem.Esmurrando a mesa, o prefeito de Juína, Hilton Campos, afirmou que não iria permitir a ida do grupo para o Rio Preto, sendo aplaudido fervorosamente pelos colegas fazendeiros.

Para evitar maiores conflitos, a viagem foi cancelada.O grupo, então, se dirigiu ao local de encontro com os Enawene, uma ponte sobre o Rio Preto, a 60 km de distância, para dar a eles combustível e comida para a volta. A viagem foi feita sob escolta policial, para garantir a segurança dos jornalistas, da Opan e do Greenpeace.Mas nem isso evitou que os fazendeiros, que acompanharam a viagem de ida e volta em 8 oito caminhonetes lotadas, continuassem intimidando e ameaçando o grupo.O grupo se refugiou no hotel de onde não pôde sair nem para comer. Uma viatura da Polícia Militar ficou na área, para impedir qualquer tentativa de invasão, mas não conseguiu impedir que um fotógrafo fosse agredido.
Os fazendeiros fizeram uma vigília na frente do hotel durante toda a noite.


De manhã cedo, 30 caminhonetes lotadas de fazendeiros, com faróis acessos a buzinando sem parar, insultando e ameaçando o grupo, escoltaram o grupo, que estava protegido por duas viaturas policiais, até o aeroporto.Foram advertidos a decolar imediatamente, ou o avião seria queimado. No momento, todos se encontram em segurança em Cuiabá."


Leia o texto completo no site do Greenpeace:

http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/noticias/fazendeiros-e-pol-ticos-expuls

Foi noticiado pelo jornal britânico Guardian:

http://commentisfree.guardian.co.uk/


Publicado em 30 de agosto de 2007


terça-feira, 14 de agosto de 2007

50 anos da Revolta dos Colonos do Sudoeste do Estado

Meus queridos,
Domingo próximo, dia 19 de agosto, será realizada a 22ª Romaria da Terra.
Terei que percorrer uma grande distância de Curitiba até Francisco Beltrão mas, desde já, meu coração se alegra na esperança de me reencontrar com os agricultores de todo o Estado do Paraná nesta linda festa. Não dá para descrever a beleza e a alegria de uma Romaria da Terra, só mesmo estando lá.
Nédier
Romaria celebra Revolta dos Colonos

Os 50 anos da Revolta dos Colonos é o tema da 22ª Romaria da Terra do Paraná, que acontece no próximo dia 19, em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Estado. As atividades irão reunir colonos e lideranças que se envolveram na Revolta de 1957, para compartilhar suas experiências com os cerca de 25 mil participantes esperados. Com o lema
“Na luta da terra fazemos mudança, conosco caminha o Deus da Aliança"
o objetivo da Romaria é refletir sobre a organização popular dos trabalhadores rurais do Brasil nos dias de hoje, como aponta o integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Jelson de Oliveira.
“A Romaria vai dar esse enfoque grande para os movimentos sociais do campo. A idéia é mostrar que os trabalhadores continuam organizados, as mesmas forças que queriam tomar as terras dos posseiros naquela época, continuam hoje expulsando o povo das suas terras”, denuncia.
Através do resgate da história da Revolta dos Colonos, a Romaria pretende mostrar que os pobres não são apenas vítimas do agronegócio, mas também são protagonistas na luta contra esse modelo. O governo da época tentou se apropriar das terras de camponeses e entregá-las às companhias colonizadoras, que iriam revender os títulos.Os agricultores, em sua maioria gaúchos que colonizaram a região Sudoeste, lutaram contra o governo e conseguiram permanecer na terra.
“Essa revolta é uma luta popular, eles trancaram várias cidades da região, em outubro de 1957, 5 mil colonos ocuparam a cidade de Francisco Beltrão e expulsaram de lá as chamadas companhias colonizadoras. Eram companhias que tinham conseguido do governo do Estado a possibilidade de vender os títulos de terra pros posseiros”,
declara.
A luta pela terra no Paraná ainda enfrenta vários desafios, com a expansão dos monocultivos de cana-de-açúcar, pínus e eucalipto, e o problema do trabalho escravo, que também será denunciado pela CPT.
“Temos atualmente no Paraná a expansão do agronegócio, de maneira especial, a cana e a madeira: como pinus e eucalipto. A beira de Curitiba está cercada por estas lavoura, com um custo ambiental e social enorme pra população. Já tivemos cinco casos de trabalho escravo, nos últimos dois anos, na beira de Curitiba, que são reflexo desse modelo de agricultura que vem sendo implantando no Estado” , denuncia.
No final da caminhada, ocorre uma celebração ecumênica, com a presença de pastores e padres. Ano passado, a Romaria aconteceu em Tamarana, no Norte do Paraná, uma das regiões mais pobres do Estado. Os 20 mil participantes denunciaram as conseqüências da expansão do agronegócio para o meio social.

Solange Engelmann
Agência Chasque

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

22ª ROMARIA DA TERRA SERÁ REALIZADA NO MUNICÍPIO DE FRANCISCO BELTRÃO

21ª Romaria da Terra em Tamarana/PR

D. Tomás Balduíno

22ª ROMARIA DA TERRA DO PARANÁ DEVE REUNIR 25 MIL EM FRANCISCO BELTRÃO

A Comissão Pastoral da Terra e as demais entidades organizadoras da 22ª Romaria da Terra do Paraná esperam reunir 25 mil pessoas no próximo dia 19 de agosto em Francisco Beltrão. O evento de cunho religioso organizado anualmente pela CPT tem como tema esse ano a celebração dos 50 anos da Revolta dos Colonos do Sudoeste e pretende refletir sobre a mobilização social do campo, com o lema Na luta da terra fazemos mudança, conosco caminha o Deus da Aliança!
Comunidades de todo o Paraná já receberam neste mês o cartaz e o texto-base da Romaria, com imagens e relatos da Revolta de 57 e das lutas do povo do campo nos dias atuais. Em Francisco Beltrão, os preparativos para a recepção dos romeiros já estão bastante adiantados e várias comunidades e organizações já se mobilizam para acolher os visitantes que passarão o dia em Francisco Beltrão.
PROGRAMAÇÃO DA ROMARIA
Inúmeras equipes de trabalho estão organizadas para garantir a segurança e a tranqüilidade do evento. Desde as cinco horas da manhã do dia 19 de agosto, um grupo de 60 jovens estará posicionado para fazer a recepção e acolhida dos romeiros que se dirigirão à Praça Central de Francisco Beltrão. Por volta das 6h as paróquias e comunidades da Diocese de Francisco Beltrão vão começar a servir café da manhã para os visitantes. Para isso estão coletando doações de pães, bolos, bolachas, café, margarina, geléias, etc.
Às 8h está programado a abertura oficial do evento, que vai contar com encenações, cantos, orações, apresentações e reflexão. A idéia dos organizadores é fazer uma memória das motivações e formas de organização que levaram à Revolta de 1957: para isso serão usados caminhões para transporte dos colonos, telões pintados com imagens das construções da época, além de vários símbolos e gestos. O objetivo é que os romeiros se sintam parte da mesma luta, a qual continua animando o povo nos dias de hoje. Por se tratar de uma celebração ecumênica, várias autoridades civis e religiosas participarão desse primeiro momento da Romaria.
Às 11h da manhã terá início a caminhada pelas ruas da cidade até o local de concentração final, onde haverá almoço e a festa e feira das sementes. Na parte da tarde a celebração pretende resgatar os resultados da luta dos colonos ontem e hoje, celebrada através do resgate das sementes. No final da celebração os romeiros partilharão alimentos produzidos na região, entre os quais polenta, batata doce, salame, torresmo e frutas. O encerramento da celebração está previsto para as 16h.
MAIORES INFORMAÇÕES: cpt@cpt.org.br ou www.cpt.org.br
Curitiba-Paraná-Brasil, 27 de junho de 2007.
COMISSÃO PASTORAL DA TERRA DO PARANÁ