segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Terra Terrena - Luta e Sonho

Ao rufar dos tacapes,
Lançados compassadamente
Contra a terra,
Aos gritos de guerra,
de terra e de paz,
os guerreiros da esperança,
Em retomada
De seu sagrado chão,
Não apenas propiciavam
Um espetáculo cinematográfico
Mas uma emocionante
Demonstração de que a energia
Que brota da raiz
É a seiva da vitória
Irrigando o futuro!

O sonho realidade
Está nos gestos
De dignidade
Das crianças dançando
Das mulheres gritando
“queremos nossa terra”
Dos guerreiros atentos
Ouvindo e debatendo
O seu direito
Sendo sujeitos
De uma nova história,
Em seu território tradicional
“Hasta La vitória final!”
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Nunca dantes visto espetáculo igual.
A chegada à sagrada terra retomada na terra Indígena Buriti nos encheu de emoção e certeza – Deus e a vitória estão com quem tem dignidade, superando o capital e o poder! É um absurdo continuar negando a sagrada terra a quem nela tem sua história de milhares de anos, sabe conviver harmonicamente com a diversidade de vida nela existente, e dela tira carinhosamente seu sustento. O povo Terena, assim como os demais povos indígenas tem essa relação profunda com a terra e com maestria desenvolvem uma agricultura de fartura e harmonia.
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Uma luta de dez anos
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“Aqui estão os guerreiros, aqui está o meu povo. Lutamos há dez anos pelo nosso chão sagrado. Aqui estamos. Daqui não sairemos. Queremos que o governo resolva logo essa situação. A terra já está identificada e ficou tudo parado. Queremos uma solução.”
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A afirmação de um dos líderes do grupo, no início de um longo debate de três horas, nos situou na importante decisão do grupo. Essa é a maneira que lhes restou de ajudar o governo a cumprir a Constituição e a legislação internacional que garantem aos povos indígenas suas terras tradicionais e indispensáveis para sua reprodução física e cultural.
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Desde o início deste século 21 o povo Terena vem intensificando suas iniciativas de recuperação de parte de seu território tradicional. Esbarram na reação articulada dos grandes interesses econômicos e políticos. As terras estão concentradas nas mãos de políticos, como o ex-governador Pedro Pedrosian, de ex-deputados e dos grandes latifundiários da região. Infelizmente essa estrutura perversa continua prevalecendo sobre os direitos coletivos dos povos indígenas, dos quilombolas e de outros que querem viver e produzir num pedaço de terra.
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Enganaram-se os estudiosos e antropólogos que em décadas passadas trabalhavam com um previsível cenário dos Terenas integrados nos ambientes urbanos e periferias das cidades, abandonando assim suas terras e competindo nas estruturas dos não indígenas, deixando eles mesmos sua cultura, integrando-se totalmente à sociedade ocidental não indígena. Hoje os mais de 20 mil Terenas no estado do Mato Grosso do Sul, não apenas estão retomando parte de seus territórios tradicionais, como estão revitalizando sua cultura e identidade.
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Violências e mentiras
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“Digam ao Brasil e ao mundo a verdade, o que se passa aqui, nossa luta e nossos sonhos”,
foi uma das solicitações que fizeram a nós, enquanto Cimi.
A imprensa-empresa regional, infelizmente continua noticiando de forma distorcida e parcial os fatos relacionados à retomada de algumas fazendas pelo povo Terena, dentro dos 17 mil hectares identificados como sendo parte de seu território tradicional.
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O governo do estado se apressou a enviar a polícia militar ao local para hostilizar os Terena na retomada da fazenda querência São José. Jogaram gás lacrimogêneo e atiraram com balas de borracha contra os indígenas. Um deles ficou ferido tendo que ser hospitalizado. “Queremos que os responsáveis paguem pelo que fizeram com nosso guerreiro”. Decidiram ingressar na justiça denunciando as agressões e mentiras, pedindo punição e indenização.
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As centenas de Terenas organizados na retomada estão esperançosos de que a questão de suas terras seja resolvida o mais rápido possível, para que todos possam trabalhar e viver em paz. Por isso estarão buscando dialogar com o Ministério Publico e os desembargadores que tem uma vinda agendada para o Estado no início de novembro.
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Egon Heck
Cimi MS
Campo Grande, 24 de outubro de 2009

Keno vive


Por um engano escrevi que estaria na inauguração de um monumento em homenagem ao Keno no dia 14 de novembro próximo.
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Na verdade, estamos iniciando uma campanha para que o monumento KENO VIVE seja feito.
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A última grande atividade de massa deste ano será comemorar a vitória sobre a Syngenta, num grande ato dia 14 de novembro, em Cascavel, onde pretendo estar.
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Vamos todos erguer o monumento KENO VIVE.
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Uma campanha internacional, nacional e paranaense está sendo feita para levantar recursos e pagar as despesas deste monumento.
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Estamos convocando possiveis doadores para esta companha. Ela materializará um monumento em homenagem ao Keno e à VIDA.
Qualquer ajuda será de grande valia.
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Não podemos desistir, prosseguimos... como escreveu Cora Coralina "quebrando pedras e plantando flores" pois esta é a vida de quem tem consciência social em nosso Brasil e deseja a tão almejada e protelada Reforma Agrária.
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Calando a voz de um agricultor brasileiro com a conhecida violência e a respectiva impunidade, nossas vozes e milhares de outras bradarão, em seu nome, pela Justiça Social.
Assim será.
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Não me atemorizo com ameaças de pessoas que prejudicam o meu país.
Na posteridade, cobertos pela abençoada Terra que tanto agrediram, sua indignidade descarada envergonhará seus familiares e seguidores.
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Nédier

domingo, 25 de outubro de 2009

Vivemos em uma Terra de Direitos - vamos exigí-los - Transnacionais e Violência no campo: assassinato de Keno completa hoje dois anos

Keno
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Meus amigos,
Eu conheci Keno e não consigo me conformar.
Olhem sua foto.
Ninguém possui esta expressão de bondade e de pureza se elas não brotarem do coração.
Se Deus quiser, se permitir, eu estarei na inauguração do monumento em sua homenagem dia 14 de novembro próximo.
Nédier
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Transnacionais e Violência no campo: assassinato de Keno completa hoje dois anos
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Há exatos dois anos, o trabalhador rural Valmir Mota de Oliveira, o Keno, foi executado por uma milícia armada no Centro Experimental da transnacional Syngenta.
O crime aconteceu no acampamento Terra Livre, em Santa Tereza do Oeste (PR), quando o movimento denunciou a realização de experimentos ilegais com sementes de milho transgênico em zona de amortecimento, prática vedada pela Lei de Biossegurança.
Mesmo após a morte de Keno, as ameaças aos agricultores e a soberania alimentar do país continuam.
A manutenção do latifúndio, o uso de milícias armadas, a dependência financeira causada pelas sementes transgênicas e o alto uso de agrotóxicos no campo evidenciam um modelo de desenvolvimento monopolista e violento.
Por essas questões, diversas organizações decidiram transformar o dia 21 de outubro em uma data para celebração da luta pela vida e contra os transgênicos, sendo um dia de resistência às violações aos direitos humanos promovidas pelas empresas transnacionais.
Em homenagem a memória de Keno, os trabalhadores do MST realizaram na tarde desta quarta-feira (21) um Missa Ecumênica no acampamento 1º de Agosto, em Cascavel.
Durante a manhã, no Rio Grande do Sul, os movimentos sociais organizaram uma manifestação contra os alimentos transgênicos, com a coleta de assinaturas da população contra a liberação do plantio de transgênicos no Brasil e no mundo.
Também em celebração à causa, será inaugurado no próximo dia 14 de novembro o Monumento em Memória de Valmir Motta de Oliveira – Keno.
A inauguração irá encerrar os trabalhados do IV Congresso Brasileiro de Agroecologia e II Congresso Latino-Americano de Agroecologia, que acontecerão em Curitiba de 9 a 13 de Novembro.
Transnacionais agravam violência no campo
Detentora de 19% do mercado de agroquímica e terceira empresa com maior lucro na comercialização de sementes no mundo, atrás apenas da Monsanto e da Dupont, a Syngenta, junto a outras transnacionais, agrava o cenário de violência no campo com a imposição de um modelo industrial de agricultura baseado na monocultura, na super exploração do trabalhador, na degradação ambiental, na utilização de agrotóxicos e na apropriação privada de recursos naturais e genéticos.
As empresas transnacionais são um novo elemento para a análise de conflito no campo. Assim como no caso da morte de Keno, é cada vez mais comum a contratação, pelas transnacionais, de empresas de segurança que exercem o papel de milícias armadas e da pistolagem no campo. Embora muitas estejam licenciadas pela Polícia Federal, estas empresas têm servido para encobrir a imagem e a responsabilidade das transnacionais na violação de direitos individuais. Dados do MST afirmam que, desde 2005, foram mortos 18 militantes do movimento e 87 foram presos.
Estudo da Secretaria Especial de Direitos Humanos aponta que em todos os estados onde está o MST, existem militantes ameaçados de morte.
Segundo dados da CPT – Comissão Pastoral da Terra – sobre a questão agrária, de janeiro a junho de 2009 foram 12 assassinatos, 44 tentativas de assassinato, 22 ameaças de morte, seis pessoas torturadas e 90 presas em todo o Brasil. Os responsáveis pela morte do Keno ainda não foram punidos. A Syngenta não foi responsabilizada pelo assassinato e, apesar de suas práticas sócio-ambientalmente predatórias, continua exercendo monopólio sobre o setor agrícola brasileiro.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

- Que medo!!!

- Que medo!
Terríveis ameaças pesam sobre o MST.
Irados senadores e senadoras, indignados com a destruição de alguns mil pés de laranja da Fazenda Santo Henrique, da empresa Cutrale, ameaçam instalar uma CPI para apurar a transferência de recursos do orçamento da União para entidades civis ligadas ao Movimento.

Esta nova investida – já houve três ou quatro, todas frustradas – não passa de "fogo de encontro".
O pavor desses senadores e senadoras, que conformam a bancada ruralista no Congresso brasileiro, é o anúncio de que o governo, após seis anos de atraso, pretende atualizar os índices de produtividade que servem de critério para definir uma propriedade rural como produtiva (não suscetível de desapropriação) ou improdutiva (passível de desapropriação para fins de reforma agrária).
Atribuem, esses senadores e senadoras, a tardia decisão do governo a uma pressão do MST.
Nada disso.
A razão real é que a atualização periódica dos índices constitui obrigação legal estabelecida na Lei Agrária, e o Ministério Público Federal já notificou os ministros do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura que o descumprimento da lei pode causar-lhes responsabilidade criminal.
A base estatística dos índices atualmente vigentes está atrasada 32 anos!
O Correio da Cidadania é favorável à instalação da CPI, com apenas uma condição. Que a investigação inclua o fato substantivo (causador da manifestação na Fazenda da Cutrale): a estranha transferência de um imóvel da União para um particular.
Se, como se sabe, não cabe usucapião nessa categoria de imóveis rurais, como é que imóveis adquiridos (vejam bem! Adquiridos) pela União, e adjudicados ao seu patrimônio em pagamento de dívidas, foram parar nas mãos de particulares?

Não é nada difícil, havendo vontade, elucidar cabalmente essa questão.
Basta convocar desembargadores, juízes, promotores, serventuários dos cartórios de Iaras e dos municípios vizinhos, ex-secretários de Estado, parlamentares, ex-diretores dos órgãos de proteção do patrimônio da União, para que tudo venha a público.
Perguntas, por exemplo, do tipo:
"Por que motivo a Justiça Federal levou seis anos para decidir sobre a alegação de incompetência do Juiz Federal de Ourinhos, no processo que o Incra move contra a Cutrale para reaver o imóvel da União (a decisão foi pela competência do juiz de Ourinhos, diga-se de passagem)?".

Perguntas destas podem revelar claramente porque depois de anos de espera alguns sem terra perderam a paciência.

Mas isto é o adjetivo.

O que diz o Senado Federal a respeito do substantivo?


Plínio Sampaio
editorial do Correio da Cidadania /16 de outubro de 2009

A noite é um lugar.

A noite é um lugar...

caminho o dia todo
em direção a ela
e quando chego, percebo
que foi ela que veio
em minha direção

que se alojou em minha pele
e me penetrou...
amante silenciosa
envolvendo-me em seus braços
suaves e sombrios

ameniza meu rosto
com beijos de aragem fresca.

Tiro minha roupa
e ela se amontoa morna
nos meus pés

Despojada de todos meus valores
me aninho em seus braços
e adormeço.

A noite é um lugar
chamado morte.

Nédier

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

NOTA PÚBLICA DA CPT SOBRE AS PERSEGUIÇOES AO MST - Mais uma vez mídia e ruralistas investem contra o MST

Comissão Pastoral da Terra
Mais uma vez mídia e ruralistas investem contra o MST


A Coordenação Nacional da CPT vem a público para manifestar sua estranheza diante do “requentamento” por toda a grande mídia de um fato ocorrido na segunda feira da semana passada, 28 de setembro, e que foi noticiado naquela ocasião, mas que voltou com maior destaque, uma semana depois, a partir do dia 5 de outubro até hoje.

Trata-se do seguinte: no dia 28 de setembro, integrantes do MST ocuparam a Fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do estado de São Paulo. A área faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e que pertencem à União. A fazenda Capim, com mais de 2,7 mil hectares, foi grilada pela Sucocítrico Cutrale, uma das maiores empresas produtora de suco de laranja do mundo, para a monocultura de laranja. O MST destruiu dois hectares de laranjeiras para neles plantar alimentos básicos. A ação tinha por objetivo chamar a atenção para o fato de uma terra pública ter sido grilada por uma grande empresa e pressionar o judiciário, já que, há anos, o Incra entrou com ação para ser imitido na posse destas terras que são da União.

As primeiras ocupações na região aconteceram em 1995. Passados mais de 10 anos, algumas áreas foram arrecadadas e hoje são assentamentos. A maioria das terras, porém, ainda está nas mãos de grandes grupos econômicos. A Cutrale instalou-se há poucos anos, 4 ou 5 mais ou menos. Sabia que as terras eram griladas, mas esperava, porém, que houvesse regularização fundiária a seu favor.

As imagens da televisão, feitas de helicóptero, mostram um trator destruindo as plantas. As reações, depois da notícia ser novamente colocada em pauta, vieram inclusive de pessoas do governo, mas, sobretudo, de membros da bancada ruralista que acusam o movimento de criminoso e terrorista.

A quem interessa a repetição da notícia, uma semana depois?

No mesmo dia da ação dos sem-terra foi entregue aos presidentes do Senado e da Câmara, um Manifesto, assinado por mais de 4.000 pessoas, entre as quais muitas personalidades nacionais e internacionais, declarando seu apoio ao MST, diante da tentativa de instalação de uma CPMI para investigar os repasses de recursos públicos a entidades ligadas ao Movimento. Logo no dia 30, foi lido em plenário o requerimento para sua instalação, que acabou frustrada porque mais de 40 deputados retiraram seu nome e com isso não atingiu o número regimental necessário. A bancada ruralista se enfureceu.

A ação do MST do dia 28, que ao ser divulgada pela primeira vez não provocara muita reação, poderia dar a munição necessária para novamente se propor uma CPI contra o MST. E numa ação articulada entre os interesses da grande mídia, da bancada ruralista do Congresso e dos defensores do agronegócio, se lançaram novamente as imagens da ocupação da fazenda da Cutrale.

A ação do MST, por mais radical que possa parecer, escancara aos olhos da nação a realidade brasileira. Enquanto milhares de famílias sem terra continuam acampadas Brasil afora, grandes empresas praticam a grilagem e ainda conseguem a cobertura do poder público.

Algumas perguntam martelam nossa consciência:

Por que a imprensa não dá destaque à grilagem da Cutrale?

Por que a bancada ruralista se empenha tanto em querer destruir os movimentos dos trabalhadores rurais? Por que não se propõe uma grande investigação parlamentar sobre os recursos repassados às entidades do agronegócio, ao perdão rotineiro das dívidas dos grandes produtores que não honram seus compromissos com as instituições financeiras?

Por que a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), declarou, nas eleições ao Senado em 2006, o valor de menos de oito reais o hectare de uma área de sua propriedade em Campos Lindos, Tocantins? Por que por um lado, o agronegócio alardeia os ganhos de produtividade no campo, o que é uma realidade, e se opõe com unhas e dentes á atualização dos índices de produtividade? Por que a PEC 438, que propõe o confisco de terras onde for flagrado o trabalho escravo nunca é votada? E por fim, por que o presidente Lula que em agosto prometeu em 15 dias assinar a portaria com os novos índices de produtividade, até agora, mais de um mês e meio depois, não o fez?

São perguntas que a Coordenação Nacional da CPT gostaria de ver respondidas.


Goiânia, 7 de outubro de 2009.

Coordenação Nacional da CPT

Maiores informações:
Isolete Wichinieski (coordenação nacional da CPT) – (62) 9607-3488
Edmundo Rodrigues (coordenação nacional da CPT) – (63) 9237-9460

Cristiane Passos (Assessoria de Comunicação da CPT) – (62) 8111-2890 / 4008-6406 Comissão Pastoral da Terra

Esclarecimento, omitido pela mídia, sobre a ocupação do MST em Iaras (SP)

Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente
o plantio de laranja em terras da União.

É nessa região que está localizada fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas, além de 15 mil hectares de terras improdutivas.


A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas deforma irregular pela produtora de sucos. Além disso, o Instituto Nacionalde Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria se manifestado em relação ao conhecimento de que as terras são realmente da União, de acordo com representantes dos Sem Terra em Iaras.


"Este não é um tempo de choro ou fatalismo,
embora tenhamos motivo ou vontade de fazê-lo,
este é um tempo dramático, desafiador,
tempo de briga e de esperança."

Paulo Freire

Esclarecimento sobre a ocupação do MST em Iaras (SP)

Cutrale usa terras griladas em São Paulo

Cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) permanecem acampadas desde a semana passada (28/09), na fazendaCapim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do Estado de São Paulo.
A área possui mais de 2,7 milhectares, utilizadas ilegalmente pela Sucocítrico Cutrale para a monocultura de laranja, que demonstra o aumento da concentração de terras no país, como apontou o censo agropecuário do IBGE.

A área da fazenda Capim faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União.

É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas, além de 15 mil hectares de terras improdutivas.
A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas deforma irregular pela produtora de sucos.
Além disso, o Instituto Nacionalde Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria se manifestado emrelação ao conhecimento de que as terras são realmente da União, de acordo com representantes dos Sem Terra em Iaras.

Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União.

A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadasde forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade.

A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS) entre outras.
Nossa ação não é contra as laranjas, mas contra a Cutrale.
Infelizmente, as influencias da empresa na imprensa nacional, manipulou o protesto dos ocupantes, para esconder a verdadeira situação. A mesma imprensa esqueceu de comentar que usando os métodos mais escusos possíveis a CUTRALE se transformou numa empresa que monopoliza todo comercio de laranjas do estado de São Paulo. E que superexplora os agricultores dela dependentes.

O local já foi ocupado diversas vezes, no intuito de denunciar a ação ilegal de grilagem da Cutrale. Além da utilização indevida das terras, a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de SãoPaulo pela formação de cartel no ramo da produção de sucos, prejudicando assim os pequenos produtores.
A Cutrale também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meioambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios.
No entanto, nenhuma atitude foi tomada em relação a esta questão.

Há um pedido de reintegração de posse, no entanto as famílias deverão permanecer na fazenda até que seja marcada uma reunião com o superintendente do Incra, assim exigindo que as terras griladas sejam destinadas para a Reforma Agrária.
Com isso, cerca de 400 famílias acampadas seriam assentadas na região. Há hoje, em todo o estado de São Paulo, 1.600 famílias acampadas lutando pela terra. No Brasil, são 90 mil famílias.


Direção Estadual do MST-SP
Igor Feles Santos
Assessoria de Comunicação do MST
Secretaria Nacional - SPTel/fax: (11) 3361-3866
Correio -
imprensa@mst.org.br
Página -
http://www.mst.org.br/--