terça-feira, 15 de novembro de 2011

Os Mares





Dizem que na Palestina, existem dois mares bem distintos.
O primeiro deles é fresco e cheio de peixes. Possui margens adornadas com bonitas plantas e muitas árvores as rodeiam, debruçando seus galhos em suas águas, enquanto deitam as raízes nas águas saudáveis para se dessedentarem. Suas praias são acolhedoras e as crianças brincam felizes e tranquilas. Esse mar de borbulhantes águas é constituído pelo rio Jordão. Ao redor dele, tudo é felicidade. As aves constroem os seus ninhos, enchendo com seus cantos a paisagem de paz e de risos. Os homens edificam suas casas nas redondezas para usufruírem dessa classe de vida. Mas, o rio Jordão prossegue para além, em direção ao sul, em direção a outro mar.
Ali tudo parece tristeza. Não há canto de pássaros, nem risos de crianças. Não há traços de vida, nem murmúrio de folhas. Os viajantes escolhem outras rotas, desviando-se desse mar de águas não buscadas por homens, nem cavalgaduras, nem ave alguma. Se ambos os mares recebem as águas do mesmo rio, o generoso Jordão, por que haverá entre ambos tanta diferença?
Num, tudo canta a vida, noutro parece pairar a morte.
Não é o rio Jordão o culpado, nem causa é o solo sobre o qual estão, ou os campos que os rodeiam.
A diferença está em que o Mar da Galiléia recebe o rio, mas não detém as suas águas, permitindo que toda gota que entre, também saia, adiante. Nele, o dar e receber são iguais.
O outro é um mar avarento. Guarda com zelo todas as gotas que nele ingressam. A gota chega e ali fica. Nele não há nenhum impulso generoso.
O Mar da Galiléia dá de forma incessante e vive de maneira abundante.
O outro nada dá e é chamado de Mar Morto.
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Tecendo um paralelo entre o coração humano e os dois mares descritos, podemos logo reconhecer se temos uma alma generosa igual ao Mar da Galiléia ou avarenta e ciosa qual o Mar Morto.
Os que estamos habituados a distribuir os dons e talentos que a Divindade nos concede, somos os seres agraciados com a alegria de viver, farto círculo de amigos, flores de carinho e folhagens de ternura.
Se nos habituamos a viver sós, sem nada repartir, dividir ou partilhar, estamos semeando solidão à nossa volta, tristeza e desamparo, porque a vida é qual imensa seara que retribui a sementeira, de acordo com os grãos cultivados.


Recebi este texto belíssimo, digno de reflexão, de minha filha Ana Paula.

Não sei o autor.

sábado, 5 de novembro de 2011

Tio Alceu










Eu penso que todos acham que estou exagerando quando falo dos meus Brusamolin, mas na verdade eu até disfarço...não pega bem descrever nossas insanidades familiares. .




Nem o Gabriel Garcia Marques criaria um personagem como o tio Alceu, um hipocondríaco dos bons. Ele passou a vida enchendo os armários da casa com remédios, quando a gente ia visitá-lo ele mostrava com orgulho os ditos armários abarrotados.
O Dr. Milano foi durante anos o médico de toda família. Ele era clínico geral e obstetra e o meu tio ia diariamente em seu consultório.





Minha nora Cláudia estava uma vez na sala de espera quando ele chegou: um italiano enorme, de olhos muito azuis com uma peruquinha acaju presa com grampos pela minha prima Cléia. Como sempre fazia chegou esbaforido e ficou encostado na porta esperando a enfermeira abrir para a primeira consulta:
- As senhoras me desculpem,mas meu caso é urgente, vou demorar só um pouquinho – disse ele para a mulherada na sala de espera antes de se enfiar consultório a dentro.
Quando ficou viúvo não voltou para sua casa mas para antiga casa da mama, onde morava parte da família.
Viúvo, meu tio que era um exímio violonista não quis mais tocar violão, uma vez lhe pedi que tocasse e ele me respondeu:
- Depois que aquela abençoada morrreu, eu nunca mais peguei no instrumento.
Um mês antes de sua morte, eu e ele promovemos, segundo a Ana, um típico espetáculo Brusamolin, no local da votação em dia da eleição.




Ela descreve bem.




Diz que quando chegou para votar viu sua mãezinha vestida de petista com crachá de delegado e tudo, na ponta dos pés pingando colírio nos olhos do tio Alceu. Não seria anormal se nós dois não estivéssemos bloqueando o corredor de acesso às urnas.

Estes dias encontrei o Jalmir, seu filho e meu querido primo. Ele tem um filho com o nome do avô. Perguntei como ia o menino.
- O Alceuzinho?? Vai bem...de três em três horas uma dose.


PS.: Este texto é dedicado aos meus queridos primos e amigos do Clube da Macaca



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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Fernando Morais: “Bloqueio é uma metralhadora apontada para Cuba”





Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Felipe Prestes


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O jornalista Fernando Morais captou Cuba em dois momentos absolutamente diferentes.


Em 1976, Morais escreveu a “A Ilha”, obra que o celebrizou e abriu as portas para sua carreira como autor de grandes reportagens em livro.


Naquele momento, o repórter encontrou o socialismo funcionando a pleno vapor, com pouquíssimos descontentes.
O livro que acaba de lançar, “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”, se passa na década de 1990 e mostra uma Cuba em fortíssima crise econômica decorrente do fim da União Soviética.


Um país que se tornou um prato cheio para as dezenas de organizações anticastristas chefiadas por cubanos radicados na Flórida, que incentivavam e auxiliavam os conterrâneos que desejavam deixar a ilha.


Com aviões a seu dispor, estas organizações se tornavam cada vez mais ameaçadoras para Cuba, desrespeitando totalmente o espaço aéreo do país, com voos despudorados sobre Havana.



Neste contexto, o governo cubano inicia a Operação Vespa, que consistiu no envio de 14 espiões que se infiltraram nestas organizações anticastristas. Morais começou a pensar o livro no mesmo dia em que dez destes espiões foram descobertos pelo FBI e presos, em 1998,




O escritor solicitou documentos secretos ao governo cubano em seguida, mas só os obteve em 2005. A pesquisa, que incluiu 40 entrevistas, teve início em 2008.
Fernando Morais ainda revela profunda admiração pela Cuba revolucionária, que já não funciona tão bem quanto a que mostrou em “A Ilha”.




“Relembro sempre do outdoor, que acho muito forte, que foi colocado na entrada de Havana quando o Papa João Paulo II esteve lá em 1998: ‘Nesta noite 200 milhões de crianças vão dormir na rua em todo o mundo. Nenhuma delas é cubana’”, diz.



Na última quinta-feira (29), Morais veio a Porto Alegre para um debate sobre “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” e conversou por cerca de 50 minutos com o Sul21 no restaurante do hotel em que estava hospedado.


O jornalista defendeu as “correções de rumo” que estão sendo feitas na economia cubana e explicou que o bloqueio econômico que os Estados Unidos impõem a Cuba é muito mais prejudicial dos que as pessoas costumam pensar.




”É uma metralhadora apontada para a cabeça da economia cubana”, afirma. Morais também falou sobre jornalismo, regulação da mídia e revelou quais podem ser seus próximos livros.
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Sul21 – Quando tu escreveste “A Ilha”, na década de 1970, Cuba era quase a realização de uma utopia, as coisas davam muito certo. Em “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”, que se passa na década de 1990, Cuba já está em uma situação econômica muito ruim. Como tu avalias a diferença entre o país nestes dois momentos?


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Fernando Morais – Havia uma dependência muito grande com a URSS. Cuba era quase um país da chamada Cortina de Ferro. Mantinha um nível de independência política muito grande, mas do ponto de vista econômico era um grau de dependência enorme. Quando acaba a URSS, a economia cubana sofre um baque que torna a sobrevivência da Revolução uma coisa milagrosa. Só se explica mesmo pela garra do povo cubano. O PIB desabou em 75%. Quando o PIB de um país cai 4 ou 5%, um presidente arranca os cabelos. Eles tiveram que fazer mágica para sobreviver. O inacreditável de tudo isto é que, apesar desta tragédia econômica, passados 20 anos do fim da URSS, dados recentes mostram que Cuba é o único país do Caribe e da América Latina que não tem mais desnutrição infantil. Zero. A taxa de mortalidade infantil é de 4,5 por mil. A dos Estados Unidos é de oito por mil. A do Brasil é de 22 por mil. Em São Paulo é de 11 por mil. No debate sobre o livro em Curitiba me perguntaram como eu continuo solidário à Revolução Cubana. Eu cito estes números e relembro sempre do outdoor, que acho muito forte, que foi colocado na entrada de Havana quando o Papa João Paulo II esteve lá em 1998: “Nesta noite 200 milhões de crianças vão dormir na rua em todo o mundo. Nenhuma delas é cubana”. É isso.


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Sul21 – Imagino que tenham questionado no debate o fato de o poder estar concentrado com Fidel Castro e agora com seu irmão, o que muitos consideram uma ditadura.


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Fernando Morais – É um país em guerra com a maior potência bélica do planeta. Não sei que cidade está a 160 quilômetros de Porto Alegre, para que as pessoas tenham a noção da distância entre Cuba e os Estados Unidos. E não é uma ameaça retórica. É real. Acho que não tem mais ninguém ingênuo depois que os americanos deram a volta no planeta para invadir o Iraque e o Afeganistão e do que fizeram agora na Líbia. Independentemente se Kadafi era um ditador ou não, eles atravessam o planeta e vão matar gente em um lugar que eles não sabem nem a língua. Se você der um mapa-múndi para os americanos, 99% não sabem onde ficam estes países. Os cubanos não são ingênuos de supor que estão a salvo de uma agressão militar, até porque já houve na Baía dos Porcos. Quando o Brasil entrou na Segunda Guerra, Getúlio baixou no dia seguinte leis que proibiam japoneses, alemães e italianos de falar seus idiomas na rua, de ler livros em suas línguas. Está havendo muita mudança econômica em Cuba. Raúl está corrigindo muita cagada que eles fizeram no começo. Agora, não acredito que haverá alguma mudança política enquanto não acabar o bloqueio econômico.


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Sul21 – Como tu estás vendo estas mudanças econômicas?


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Fernando Morais – São correções de rumo. Me lembro que nas primeiras vezes em que fui a Cuba, quem cortava seu cabelo era um barbeiro estatal. Você tinha uma unha encravada, tinha que arrumar um podólogo estatal. Não tinha nada que não fosse estatal. Um caso célebre é de uma empresa que era muito famosa que se chamava El Rey de la Papa Frita, que tinha centenas de quiosques em todo o país. Foi estatizada. Eles criaram um mecanismo em um ministério para cuidar da El Rey de la Papa Frita. Não podia dar certo. Foi uma revolução de um radicalismo só visto na Revolução Russa de 1917. Hoje está nos jornais que as pessoas podem comprar e revender carros. As pessoas já podem abrir pequenos negócios. Agora, saúde e educação continuam sendo de responsabilidade do Estado, nisto não se mexe. Cuba não vai voltar a ser puteiro dos Estados Unidos nunca.


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Sul21 – O título do livro fala em últimos soldados da Guerra Fria. Mas pela nossa conversa, percebe-se que na verdade esta guerra ainda não acabou.


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Fernando Morais – Eu acho que ali foi o último episódio da Guerra Fria. Na verdade, é um anacronismo. A Guerra Fria acaba no dia em que acaba a URSS. Os Estados Unidos perderam o inimigo que alimentava isto. No entanto, ali no Caribe havia um microcosmo onde a Guerra Fria se mantinha.


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Sul21 – Agora não se mantém?


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Fernando Morais – Isso está, aos poucos, desaparecendo. Primeiro pela descoberta da rede de cubanos. Das denúncias feitas por Fidel a Bill Clinton, via Gabriel Garcia Marquez. E também por um problema generacional. Os jovens que vivem em Miami não estão mais interessados em jogar bombas em Cuba.


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Sul21 – Já não devem ter interesse em voltar para lá também e reinstalar o capitalismo.


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Fernando Morais – Não, até porque eles não tiveram prejuízo nenhum. Eles nasceram depois das expropriações. Quinze dias atrás o Pablo Milanés foi fazer um show em Miami, em um grande estádio da American Airlines (a American Airlines Arena). Havia 15 mil pessoas aplaudindo ele dentro do estádio e do lado de fora uns quinze velhinhos com cartazes na mão o chamando de comunista sem-vergonha. Então, isso está diminuindo muito. É muito raro você encontrar um jovem entre as lideranças das dezenas de organizações anticastristas que existem na Flórida.


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Sul21 – O bloqueio econômico é realmente o grande causador dos problemas econômicos de Cuba?


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Fernando Morais – A maioria das pessoas não sabe o que é realmente o bloqueio. Acha que é só a impossibilidade dos dois países comerciarem e de cidadãos de um país visitarem o outro. É claro que apenas isto já afeta profundamente a economia cubana, porque na hora em que você permitir que o turista norte-americano visite Cuba, o turismo cubano vai multiplicar seu faturamento. Mas o problema maior são as imposições feitas a outros países. Há cerca de três anos, Cuba comprou da Toshiba uns 50 tomógrafos e o Japão não podia entregar, porque se um navio japonês atracar em Cuba fica proibido de atracar em portos norte-americanos durante não sei quantos meses. Há um trecho no livro em que o cônsul norte-americano no Rio de Janeiro procura o vice-presidente da Souza Cruz para ameaçá-lo porque a empresa tinha acabado de montar uma fábrica em Havana, em um terreno que fora expropriado da indústria americana. Deram com o nariz na porta. O bloqueio é uma coisa que até a OEA, que é controlada pelos EUA, já protestou. É uma metralhadora apontada para a cabeça da economia cubana.


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Sul21 – O livro mostra que até mesmo Jimmy Carter acabou apelando para o eleitorado de Miami anticastrista quando sua popularidade estava em baixa. A gente vê agora que Obama vai vetar a criação do Estado Palestino. Tu estudaste muito o lobby das organizações anticastristas. Como funcionam estes lobbies?


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Fernando Morais – Dinheiro. No caso do lobby cubano, além do dinheiro tem a importância que a Flórida desempenha nas eleições dos Estados Unidos. Foi lá que o Bush (filho) ganhou a primeira eleição, que dizem que foi roubada do Al Gore. No caso do lobby pró-Israel, é financiamento de campanha. Financiamento legal, tudo declaradinho. Os caras não são loucos de enfrentar isto. Perdem a eleição. No caso do lobby cubano, nenhum candidato desde Kennedy, seja democrata ou republicano, deixou de cumprir o ritual de ir beijar o anel dos barões da comunidade cubana em Miami. Se o Obama vier a fazer alguma coisa – seja no sentido de acabar com o bloqueio, seja no sentido de libertar os cinco (agentes cubanos que continuam presos nos EUA) – só vai fazer se for reeleito no ano que vem, o que está cada vez mais difícil. Se ele se reelege, não deverá satisfação nenhuma à comunidade cubana da Flórida, porque ninguém pode ser presidente dos EUA por mais de duas vezes, nem alternadamente.


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Sul21 – Tu ouviste a notícia da prisão dos espiões cubanos no rádio e no mesmo momento pensou que dava um livro. Como foi isto?


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Fernando Morais – No dia em que eles foram presos, em setembro de 1998, eu estava dentro de um táxi com minha mulher, num final de tarde, no trânsito infernal de São Paulo. No meio de um monte de notícias internacionais, de vulcão não sei onde, ele disse: “Dez agentes secretos cubanos foram presos hoje pelo FBI na Flórida. Estavam infiltrados todos eles em organizações de extrema-direita”. Em geral é o contrário, quem espia o mundo todo são os Estados Unidos, é o FBI, a CIA. Cuba lá dentro, nas “entranhas do monstro”, como dizem os cubanos. Eu comentei com a minha mulher: “Aqui tem um livro”. Levei quase dez anos para conseguir que os cubanos me entregassem o material secreto.


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Sul21 – Então, desde aquele momento tu já começaste a fazer o livro?
Fernando Morais – Já. Na primeira vez em que fui a Cuba depois daquilo já bati na porta deles. No começo, Cuba nem reconhecia que eram agentes do governo, mesmo que já tivessem sido condenados à prisão perpétua nos EUA. Em 2005 eles me liberaram os documentos, mas eu estava fazendo a biografia do Paulo Coelho. Já tinha recebido adiantamento da editora, precisava entregar o livro. Quando acabei a biografia, em 2008, saí a campo. Fiquei dois anos pesquisando e um ano escrevendo.


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Sul21 – Mas além dos documentos tu também fizeste entrevistas com os familiares dos espiões.


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Fernando Morais – Tem 40 entrevistas. Conversas com familiares, com profissionais da área de inteligência, nos Estados Unidos conversas com líderes dos grupos cubanos de direita. Tem muita coisa em off com agentes do FBI aposentados, que me deram dicas. Fui a Nova Iorque entrevistar o Larry Rother, aquele repórter que disse que o Lula bebia, que queriam expulsar do Brasil. Ele foi chefe da sucursal do New York Times em Miami e os caras (grupos anticastristas) ameaçaram ele, cortaram os freios do carro dele, metralharam a porta da casa dele. Falei com os presos por internet e, quando falava por telefone, aproveitava as cotas de minutos que as famílias têm para falar com eles mensalmente. Como não sou nem parente, nem cidadão americano, não podia visitá-los na cadeia.
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Sul21: Foi bem reportagem investigativa.

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Fernando Morais – Típica reportagem investigativa. Tem que se virar para que as pessoas contem coisas que não estão querendo contar. Fiz tudo sozinho. Em geral uso jovens jornalistas, historiadores ou pessoas da área de Letras para fazer algumas pesquisa e entrevistas por mim. Nesta, eu achei tão saboroso que fiz tudo sozinho. Tive pessoas me ajudando apenas para marcar entrevistas, degravar as fitas. Tinha uma moça em Havana, uma jornalista, a Leslie. Em Miami tinha uma jornalista colombiana e no Brasil, uma jovem jornalista. Ela organizava as informações para mim.


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Sul21 – É uma história que desperta o interesse em todo o mundo. Já tem edições em outros idiomas?


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Fernando Morais – Tem duas editoras norte-americanas interessadas em lançar o livro. Em espanhol, já tem editora em Cuba, Venezuela e México. Em Portugal também. E já está vendido para cinema desde o começo, para um jovem investidor paulista Foi o que me ajudou porque foi uma pesquisa cara. No meio da pesquisa, o dinheiro havia acabado. Ele comprou os direitos. Está em campo para ver se amarra a produção com algum grande estúdio norte-americano.


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Sul21 – Muitos jornalistas antigos falam que este tipo de reportagem morreu, principalmente nos veículos. Tu concordas com isto?


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Fernando Morais – Os donos dos veículos dizem que o leitor não quer mais saber de reportagens extensas, quer saber de hard news, de internet. Se isto fosse verdade meus livros não venderiam o que vendem. São todos livros de grande reportagem, e todos os dez entraram em listas de mais vendidos. Acho que as pessoas querem as duas coisas. Uma coisa é você entrar na internet agora e saber o que está acontecendo na Bolívia. Outra coisa é você ler uma boa história. Público tem. Precisa dinheiro para você pôr um repórter por dois, três meses em cima de um assunto. Eu sou um leitor ávido de papel. Uma das minhas alegrias era ler de manhã três, quatro jornais. Já não tenho tanta sedução assim. Os jornais hoje me lembram um verso profético do Gilberto Gil:
“O jornal de manhã chega cedo, mas não traz o que quero saber/As notícias que leio, conheço, já sabia antes mesmo de ler”.

Salvo uma ou outra coisa, você já leu antes na internet. Não acho que a internet vai acabar com o jornal. Mas acho que a única maneira do jornal em papel obter alguma vantagem sobre a internet é com opinião e com a grande reportagem, com matérias esteticamente trabalhadas. Dar tempo ao repórter burilar, escrever a reescrever. Se não, morrerão de fome.


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Sul21 – Como tu vês a discussão que voltou à tona agora sobre a regulação da mídia?


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Fernando Morais – Eu sou a favor, claro. Em primeiro lugar, televisão e rádio não são propriedade dos donos, é uma concessão com a sociedade está fazendo a eles, mas mesmo a mídia impressa precisa de regulação. Isso não significa ter censura, não. É ter normas. Um jornal não pode dar em manchete que você é batedor de carteira e no dia seguinte desmentir com uma notinha de três linhas. É inadmissível que seja assim. Eu sou absolutamente contra a censura. Vivi de 1968 a 1976 abaixo de censura. O censor sentava ao seu lado na redação. Não pode haver nenhuma instituição impune. Esta discussão, por exemplo, sobre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Tem que ter o CNJ. Você não pode permitir, por exemplo, que a censura que era fardada se torne a censura togada. Agora, quem é que regula o direito da imprensa dizer que você é ladrão? Tem regulação no mundo inteiro. Tem muito mais nos países que são modelo para os nossos donos de jornal. Nos EUA, quem é dono de televisão não pode ter jornal. E as televisões que têm alcance nacional precisam de um percentual altíssimo de produção local e de produção independente. Aqui no Brasil, as grandes redes nacionais produzem tudo no São Paulo e no Rio de Janeiro. Os estados produzem apenas uma fatia pequenininha do seu noticiário.
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Sul21 – Para a indústria cultural não é bom.


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Fernando Morais – Claro que não. Um país com uma diversidade cultural como a nossa não pode ter uma emissora de televisão como a Globo, com 60% de audiência, com a concentração de produção como ela tem. Seria bom para também para ela comprar produção local. Seria uma forma de estimular produtoras no Brasil inteiro. E não tem nada que ver com censura. Este papo que os donos de jornal estão usando é para inibir a ação de quem defende a regulação. Não tem censura nenhuma.


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Sul21 – Mas é difícil disseminar uma ideia contrária entre a população.


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Fernando Morais – Claro, eles detêm o controle dos meios. Não adianta você querer dizer que isto não é censura no seu site, que atinge uma fatia pequena. Tem a Globo, o Estadão, a Folha, a Veja. Dos grandes, você tira a Carta Capital. O resto todo está martelando a cabeça das pessoas, dizendo que regulação é sinônimo de censura. Quando falo, mesmo para pessoas de cabeça aberta, que sou a favor da regulação, falam assim: “Quem diria, você que foi vítima da censura, agora está defendendo”.


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Sul21 – Como estão andando as biografias do José Dirceu e do Lula?


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Fernando Morais – Do José Dirceu eu estava trabalhando, ainda não desisti. Cheguei a ir a Cuba com ele, no lugar em que ele foi treinado, as pessoas que conviveram com ele, o médico que fez a cirurgia no rosto dele. Aí veio a cassação e ele teve que cuidar da vida dele. Pensamos em fazer um livro mais em primeira pessoa chamado 30 Meses, que seria a história dos bastidores do Governo Lula a partir da ótica dele. Ontem (quarta-feira, 28) ele lançou em Brasília um livro (Tempos de Planície), que acho que é um livro de ensaios, não de revelações. Com o Lula estou conversando há uns dois meses. Nem eu, nem ele sabemos bem o que se quer fazer.
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Sul21 – Ele está plenamente disposto a fazer esta biografia?


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Fernando Morais – A iniciativa foi dele, do pessoal ligado a ele. Me procuraram e propuseram um almoço com ele. Tenho uma relação antiga com o Lula. Na noite em que o sindicato foi invadido pelo Exército em 1979, estava lá dentro com ele. Pode rolar, pode dar um negócio legal. Vamos ver. É um momento bom porque eu estou na entressafra.


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Sul21 – Não tem algum outro projeto em vista?


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Fernando Morais – Tenho. Aliás, um projeto aqui no RS. Estou começando a conversar com a família do João Goulart para fazer algo não sobre a vida dele, mas sobre a morte.


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Sul21 – É algo que está no ar.


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Fernando Morais – É, aquilo não está devidamente esclarecido. Almocei na semana passada com a dona Maria Thereza (viúva de Jango) e com a Denise (filha). Vamos ver. Não descarto nenhuma possibilidade.


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Sul21 – Como tu avalias o governo Lula?


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Fernando Morais – Um governo que levou para o mundo das pessoas que comem três vezes por dia 30 milhões de habitantes. São três Chiles, cinco Dinamarcas de gente que não comia e que passou a comer. A política externa foi impecável. Altiva, independente, sem submissão. Acho que os tataranetos da gente, daqui duzentos anos, vão olhar para o Brasil dos séculos XX e XXI e vão ver dois governantes: Getúlio Vargas e Luis Inácio Lula da Silva.


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Sul21 – E quanto ao governo Dilma?


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Fernando Morais – Muito bem. Acho que está um pouco embaçado neste começo por estes rolos, de ladrões pendurados na administração, mas acho que vai ser tão bom quanto o do Lula. É a mesma família. São galhos da mesma árvore.

domingo, 11 de setembro de 2011

Você lembra o que fazia e o que sentiu há 10 anos?




Eu lembro.

Não deu pra esquecer.

Será sempre uma data lembrada pelas pessoas que em 11 de setembro de 2001 eram jovens, adultos ou de idade avançada, mas tinham saúde mental.
Lembrada com diversos sentimentos, com sentidos diversos.
Eu só posso lembrar a forma egoísta que senti aquela tragédia.
Hoje até me envergonho de ter ficado exultante.
Sem pessoalizar meus sentimentos de mãe, irmã, amiga só pensei nos mortos como um número emblemático.

Na ocasião eu estava à par do número de mortos que os EUA tinham “patrocinado” em países da América Latina financiando, dirigindo, promovendo ditaduras que fossem coniventes com seus interesses financeiros, com o “capitalismo selvagem” que a gente pronunciava como se estivesse escarrando. Eu nem estava preocupada com o que acontecia na Arábia Saudita.

Depois de uma noite insone e como não tinha compromissos no trabalho pela manhã me deixei ficar gostosamente na cama, ora cochilando, ora me espreguiçando como um bicho que distende sua musculatura antes de usá-la.

*(“Los ataques terroristas del 11 de septiembre de 2011 realizados por Al Qaeda tenían la intención de dañar a Estados Unidos, y lo consiguieron, pero en formas que Osama Bin Laden probablemente nunca se imaginó. La respuesta del presidente George W. Bush a los ataques puso en riesgo los principios básicos de Estados Unidos, socavando su economía y debilitando su seguridad.”)

O telefone soou estridente na cabeceira de minha cama, dentro da minha cabeça.
- Que preguiça – pensei.
A voz de minha irmã mais nova soou como uma espécie de alerta.
- Ligue a televisão. Já! Começou a Terceira Guerra Mundial!
Disse e desligou.
Liguei a televisão e assisti ao vivo o exato momento que a segunda Torre foi atingida.
Talvez se eu fosse uma vidente, portadora de poderes paranormais eu teria visto a guerra atingindo o Iraque e o Afeganistão e teria sofrido. Tantos jovens americanos e árabes mortos! Tantos dólares desviados por um chefe de Estado de expressão insana e inteligência limítrofe que se considerava o chefe do mundo e que levou seu país e parte do mundo à bancarrota para obter lucros financeiros e políticos.

Na televisão as imagens horríveis, inexplicáveis, as expressões de incredulidade dos passantes, os gritos, os comentários feitos pelos jornalistas me fizeram sentar na cama e tentar entender.
Entendi que aquela torre que eu vira sendo atingida era a segunda e, portanto, o que acontecia era um ataque ao coração do capitalismo.
Os deuses que me perdoem, mas fiquei feliz. Liguei para um amigo só para dizer:
- Agora eles estão sentindo o que é ser impotente, o que é ser agredido no fundo do coração da terra que amam, onde vivem...

À noite fui à uma reunião onde havia uma espécie de consenso com o que eu sentia e me senti confortável.

Um companheiro jovem me disse:
- De novo, no meu aniversário!
Não tinha como lhe dar parabéns. Seus pais perseguidos pela "nossa" ditadura militar tinham fugido para o Chile e sua festinha de aniversário, em terra estranha, fora interrompida, bruscamente, por uma nova fuga. Num ataque promovido pelos EUA, naquele 11 de setembro, o presidente Allende foi assassinado no palácio presidencial interrompendo o curso da democracia que ele estava tentando gerenciar.
Tenho visto tantos programas na televisão sobre os 10 anos do 11 de setembro e eles apelam tanto para o emocional que chego a me comover com o sofrimento daquele povo que mal sabia que sua desgraça, que sua derrocada estava apenas começando.

Nédier




* El Precio del 11 de Septiembre
Por Joseph E. Stiglitz

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Nós e o Eugênio.

Foto tirada pelo engenheiro Eugênio Koslinski, em plena queda.

Estávamos no Sambódromo.


Enquanto eu defendia a Beija-Flor, que tirou um terceiro lugar, o Odenir e o Eugênio, que cursaram a faculdade de Engenharia juntos, beberam todas.


Ao tirar esta foto o Eugênio se desequilibrou e caiu.


Um homem imenso, campeão master de natação, um dos melhores amigos do meu marido.


O Odenir tão grande quanto o Eugênio sente dificuldade de erguê-lo do chão porque mal consegue manter-se de pé.


O Eugênio nos deixou há pouco tempo. Foi tão inesperado que ainda não assimilei. Queria muito fazer-lhe uma homenagem.


Dele ficou esta foto. Mandei fazer um poster e coloquei-o na chácara.


Uma foto consegue parar o tempo, perenizar o momento fugaz...


Como as madeleines de Proust no "Em busca do Tempo Perdido" esta foto tem um gosto e um perfume que retornam intactos ao vê-la.



Lá estamos nós em um camarote. O desfile da Beija-Flor acabou, eu perdi muitas e muitas laranjas de minha fantasia pelo caminho...



Somos felizes. a vida é luminosa e colorida, a bateria da escola que passa arrepia a nossa pele. É o som do nosso país. Um hino nacional que dispensa letra e mobiliza multidões que sentem-no pulsar no rítmo e na cadência do coração.


- O tempo não pára?

Este tempo parou.



Nédier

- Este texto é dedicado ao Eugênio e a todos os meus companheiros do grupo virtual "Conversa de Botequim". Como o Eugênio (e o meu pai) são os amados "pinguços" de minha vida.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Pe. Juquinha de RO está ameaçado de morte



O MPF/RO abriu inquérito civil público envestigando as ameaças de morte sofridas pelo padre José Geraldo da Silva, padre Juquinha, coordenador da Comissão Justiça e Paz da arquidiocese de Porto Velho e pároco de Candéias do Jamari.
O Padre Juquinha é mineiro da Diocese de Mariana, e faz vários anos que realiza o seu trabalho pastoral na arquidiocese de Porto Velho, sendo que não é a primeira vez que sofre ameaças pelas denúncias realizadas na Zona Leste da capital e na área rural de Candéis do Jamari.
As recentes ameaças de morte estariam relacionadas com matéria divulgada na TV sobre irregularidades em escola rural da prefeitura de Candéias de Jamari, administrada pelo prefeito Chico Pernambuco.
"Chegou ao conhecimento do MPF/RO que padre Juquinha estaria sofrendo ameaças de morte em decorrência de sua atuação em movimentos sociais e na Comissão Justiça e Paz, da arquidiocese de Porto Velho, principalmente quanto à defesa de direitos fundamentais dos pobres. O padre confirmou as ameaças e, com isto, o inquérito civil público foi instaurado".
O procurador da República Ercias Rodrigues enviou informações sobre o caso à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e ao governador de Rondônia, solicitando providências de salvaguarda da vida do padre Juquinha e solicitou providências a respeito do caso à Polícia Federal, Secretaria de Segurança Pública e Polícia Militar.

Segundo o MPF a Ouvidoria Agrária Nacional e o arcebispo de Porto Velho, Dom Moacyr Grechi, também foram informados sobre a abertura do inquérito civil público.
Para o procurador Ercias Rodrigues, a ausência de políticas públicas voltadas para a redução da violência em Rondônia - principalmente as que envolvem os movimentos sociais urbanos ou rurais - pode ampliar crimes contra lideranças comunitárias, como se observou na morte de Adelino Ramos, em maio deste ano.
O MPF/RO estaria abrindo também outros inquéritos em relação as pessoas ameaçadas de morte em Rondônia.

domingo, 7 de agosto de 2011

CARTA A UM PROFESSOR

CARTA ATRIBUÍDA A ABRAHAM LINCOLN
ENVIADA AO PROFESSOR DO SEU FILHO
(por
José Manuel Fernandes)


"Caro professor, ele terá de aprender que
nem todos os homens são justos,
nem todos são verdadeiros;
Mas por favor diga-lhe que: para cada vilão há um herói,
que para cada egoísta, há também um líder dedicado;
Ensine-lhe por favor que
para cada inimigo haverá também um amigo,
ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha
que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas
também a saber gozar da vitória;
Afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer
a alegria profunda do sorriso silencioso;
Faça-o maravilhar-se com os livros,
mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu,
as flores do campo, os montes e os vales;
Nas brincadeiras com os amigos,
explique-lhe que a derrota honrosa
vale mais que a vitória vergonhosa.
Ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos;
Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros;
Ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente
porque os outros também entraram;
Ensine-o a ouvir a todos,
mas, na hora da verdade, a decidir sozinho,
Ensine-o a rir quando está triste e explique-lhe
que por vezes os homens também choram;
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue,
e a lutar só, contra todos, se ele achar que tem razão;
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo
faz o verdadeiro aço;
Deixe-o ter a coragem de ser impaciente
e a paciência de ser corajoso;
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e
fé também em si mesmo, pois só assim poderá ter fé nos homens;
Eu sei que estou a pedir muito,
mas veja o que pode fazer, caro professor."
Abraham Lincoln, 1830

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(Fonte: Google).

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Nota - Essa carta depois de publicada passou a ser considerada um daqueles grandes achados da internet, que nunca se pode precisar exatamente o verdadeiro autor.
- Essa opinião é também atribuida a alguns especialistas estudiosos da obra de A.Lincoln. - Fiz então algumas pesquizas e cheguei a conclusão:
Não importa o autor, o texto é lindíssimo e de raro valor no seu conteúdo.
- Portanto, decidí suspender as minhas pesquias e resolvi por endossar a observação do meu Governador do Distrito LC-11, CL Eduardo Côgo:


-Pode ser considerada excelente INSTRUÇÃO LEONÍSTICA?.
CL Laudir P. Rosa



Recebi este texto do JC Caescaes um dos poucos ser humano íntegro, politizado que cnheço e admiro muito.