quarta-feira, 10 de abril de 2013

Cecília para o meu amigo Jorge.

                                                                           
Interlúdio

As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente - claro muro
Sem coisas escritas.

Deixe o presente. Não fales.
Não me expliques o presente
pois é tudo demasiado.

Em águas de eternamente
o cometa dos meus males
afunda desarvorado.

Fico ao teu lado.


Cecília Meireles - Vaga Música (1942)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Oscar Wilde

Mario Quintana ou Estou cada vez mais enluarada




"Os espelhos partidos tem muito mais luas."

sábado, 6 de abril de 2013

Por onde ando?

                                           Caio Fernado Abreu

~
Meus amigos,


Ando afastada do meu blog por motivos alheios ao meu querer. Não há como ter inspiração com uma dor de cabeça desumana durante meses. Quarto e óculos escuros, silêncio, enjôo e uma incompreensão absoluta da família.Não dá pra imaginar a dor dos outros. Diagnósticos os mais estranhos: alergia, dor emocional, familiar (é),tumor no pâncres etc e tal.Acho que passou. Consultei todos os médicos que me conhecem e os que não. Este tipo de enxaqueca não tem cura a não ser analgésicos poderosos que me proporcionam uma gastrite igualmente insuportável

Encontrei este texto que rabisquei com uma letra quase ininteligível dentro de um livro velho.

Sabe-se lá quando escrevi. Repasso a vocês para compartilhar este “mistério”. Desculpem-me!  A inspiração veio, com certeza, do magnífico Caio Fernando Abreu



“Onde andará? É uma das expressões mais tristes que conheço, sinônimo de se perdeu”

Caio F.



Por onde ando?

Encontrei-o. Achei-o mais velho e surpreendentemente sóbrio. Imagino que meu olhar foi tão indiferente quanto o dele. Duas pessoas que, como tantas, se cruzam nas ruas da cidade.

As pessoas que cruzam comigo são levemente acinzentadas, assexuadas, nem são pessoas e já que existe a palavra são impessoais. Sou a vulgo "desligada".

Vendo-o (o que já foi incrível) pensei- Onde andará? – Se perdeu - pensei vendo-o dobrar a esquina, mas senti que também tinha me perdido

Depois da encruzilhada quase fatídica onde tínhamos trombado e nos ferido com os ferros quentes e retorcidos da paixão, cada um seguiu seu rumo, doidos, doídos, sangrando, agonizantes, mas acabei por constatar que tínhamos sobrevivido e carregávamos, pelas ruas, emoções perdidas em corpos envelhecentes.

Nédier



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Feliz Natal!!

 
 
Meus amigos,
Irmanada com os trabalhadores rurais deste país desejo a todos um Natal cristão e um novo ano com ótimas colheitas.
Nédier

"Para mim o importante é a vida, a gente se abraçar, conhecer as pessoas, haver solidariedade, pensar num mundo melhor"
Oscar Niemayer
(1907-2012)





sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Urgente - UDR No Banco dos Réus!!

 

Segue abaixo informe sobre o julgamento dos acusados pelo assassinato do camponês Sebastião Camargo (executado em 1998). A CMS-PR pede que cada organização envie pelo menos um dirigente pra acompanhar o júri. Vamos nos concentrar a partir das 8:00h, de terça-feira (27), em frente ao Tribunal de Justiça, no Centro Cívico. Faremos uma panfletagem nas imediações, pra dialogar com o povo sobre a questão agrária e a impunidade dos crimes do latifúndio no Brasil. As organizações também podem confeccionar faixas que serão estendidas nas imediações do TJ.

Abraço socialista,

Gustavo Erwin "Red"

Secretaria-CMS-Paraná

Comissão Interamericana responsabiliza Estado Brasileiro por assassinato de camponês sem terra

O assassinato de Sebastião Camargo, ocorrido em 1998, foi o primeiro de uma série de homicídios praticados por pistoleiros no Paraná. Na próxima terça-feira (27), às 9h da manhã, o caso vai a Júri Popular com quatro acusados, um dele é ex-presidente da UDR Marcos Menezes Prochet.



As violações ocorridas do direito à vida, às garantias judiciais e à proteção judicial que marcaram o assassinato do trabalhador sem terra Sebastião Camargo, de 65 anos, levaram a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) a responsabilizar o Estado Brasileiro pelo crime, em 2011, 13 anos após o assassinato.



A Comissão estudou o caso, recolheu relatórios, realizou audiências e levantou informações, apresentadas durante a Assembleia da Organização dos Estados Americanos (OEA), em junho de 2011, em Honduras. Um dos resultados práticos desse trâmite foi o andamento do processo no Brasil, que ocorreu apenas após a entrada do caso na Comissão.



O caso foi denunciado à CIDH em 2000 pela Terra de Direitos, Justiça Global, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Rede Nacional de Advogados Populares (RENAP), em reação à demora injustificada no andamento do processo. Apesar do amplo material levantado acerca do assassinato, o processo criminal permaneceu em fase de instrução inicial e vários crimes prescreveram pela demora da investigação.



Mesmo com várias provas, os culpados ainda não foram julgados e a família da vítima não recebeu qualquer reparação. Em relatório divulgado no ano passado, a CIDH afirmou que “o Estado brasileiro não cumpriu sua obrigação de garantir o direito à vida de Sebastião Camargo Filho (…) ao não prevenir a morte da vítima (…) e ao deixar de investigar devidamente os fatos e sancionar os responsáveis”.


O assassinato de Sebastião Camargo foi o primeiro de uma série de homicídios praticados com envolvimento de milícias armadas. Além dele, foram mortos Sétimo Garibaldi (1998), Sebastião da Maia (1999), Eduardo Anghinoni (1999) e Elias Gonçalves Meura (2004), entre outros trabalhadores.



O Júri do assassinato de Sebastião Camargo será realizado na próxima terça-feira (27), às 9h da manhã, no Tribunal do Júri de Curitiba. Quatro acusados do assassinato serão julgados: ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR) Marcos Menezes Prochet, Teissin Tina, proprietário da Fazenda Boa Sorte, onde Camargo foi assassinado, Augusto Barbosa da Costa e Osnir Sanches, integrantes da milícia privada da região, organizada pela UDR.

Contatos

- Terra de Direitos: (41) 3232-4660 | ednubia@terradedireitos.org.br
- Brizola, coordenação estadual do MST/PR:
(41) 9968-0147 | brizolafm@yahoo.com.br
- Diego, coordenação estadual do MST/PR:
(41) 9858-2121

 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Do profundo e desconhecido oceano de minha mente



                                                                                         foto: Joka Madruga
 
 
Do profundo e desconhecido oceano de minha mente emergem fatos, expressões, situações que são subitamente iluminadas pela luz de minha consciência.

Quando tento entender a súbita aparição, consigo apenas reviver uma emoção antiga.

Das mais antigas sensações  existe uma, que me faz sentir embalada por braços fortes. Fui uma criancinha chorona e insone. Estes braços deviam ser ou do meu pai ou de um dos meus tios, meu rosto se encosta no peito deste homem e minhas pequenas mãos buscam a pele de seu pescoço. Depois disso o nada.

Outro acontecimento emerge com uma força considerável. Hoje ele me explica o aparentemente inexplicável.

Era domingo. O cenário é o pátio de um hospital onde minha mãe, minha irmã mais velha com a perna engessada apoiada em um banco, médicos, enfermeiros apanham sol em torno de um pequeno rádio. Eu estou fora da roda, rodeando-a sem entender um ar pesado de repirar,

Então o silêncio. Absoluto. Total. Denso como uma nuvem carregada baixando sobre o mundo... Uma tristeza insuportável. A figura do meu pai surge no cenário. Ele fora escutar “o” jogo de futebol na casa da mama, rodeado dos irmãos. A expressão em seu rosto lívido até hoje para mim representa “A Derrota”.

Só bem mais tarde conclui que o Brasil tinha perdido, em casa, uma Copa do Mundo cuja vitória era tida como certa. Seríamos e não fomos campeões do mundo.

- Que força é esta que consegue irmanar um país inteiro em uma só dor, em um silêncio mórbido?

Esta memória eventual me faz entender a força do futebol em nossas vidas. Ele nos dá grandes alegrias, grandes decepções, indignações que nos levam às lágrimas.

É irracional? E quem disse que somos apenas seres racionais quando  a memória afetiva permanece?

Este fato emerge para em seguida submergir. Neste átimo de tempo iluminado pela consciência tudo se torna silencioso e triste.

O futebol me torna ora vencedora, ora humilhada e rebaixada, ora frustrada por um gol perdido ou anulado.

- E não é assim a vida?

Um time de futebol tinge com suas cores as nossas almas, se incorpora em nossas vidas.
Minha alma é rubro-negra!

Eu sou atleticana paranaense, assim como sou mulher, mãe, profissional.

As pessoas se identificam:

- Sou corintiano!

- Sou Flamengo!

- Torço pelo Grêmio! Etc. e tal.

A nossa paixão pelo futebol não é um fenômeno sem explicação.  É a própria vida com suas bandeiras coloridas flanando pelos ares.

É o alívio após um sufoco. São palavrões após um passe mal dado ou um erro de arbitragem. É a profunda tristeza de uma derrota, mas é enfim a alegria insuperável de um gol.

Um gol que nos pertence.
 
 
foto:Heuler Andrey
 
Nédier

Este texto é dedicado ao meu querido Luiz Ricardo Brusamolin.