quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Sua TV não mostrou



Sua TV não mostrou:
Fazendeiros mantiveram jornalistas estrangeiros em cárcere privado.
veja o vídeo

A fronteira agrícola avança, comendo a floresta pelas bordas.É uma notícia de grande interesse para o público brasileiro e mundial.
Mas...parem as máquinas.

Fazendeiros de Mato Grosso mantiveram jornalistas estrangeiros e ativistas do Greenpeace em cárcere privado na cidade de Juína e ninguém noticiou?
Cadê o Repórteres Sem Fronteiras?
Nada.
O Instituto Prensa y Sociedad, aquele que vigia o Hugo Chávez?
Nada.
Ah, entendi, proteger ESSES JORNALISTAS não interessa, né?
Eles fazem "proteção seletiva" de jornalistas, assim como existe a repercussão seletiva de capas.
E a Globo, especificamente, só noticia o que for contra quilombolas e ampliação ou demarcação de reservas indígenas.Só falta distribuir os mandamentos do TESTANDO HIPÓTESES em pedra.O vídeo que você não viu na TV brasileira está num daqueles blogs que o Estadão abomina:
http://www.escriba.org/novo/

Ou diretamente no You Tube:

http://br.youtube.com/watch?v=q9esNX7bzHYA

A imagem lá em cima, mostrando o avanço da agricultura sobre a floresta, foi feita pelo fotógrafo francês que fazia parte da expedição.As fotos estão aqui:

http://www.lejdd.fr/slide/rubrique/44/148/1525.html

O Greenpeace divulgou no site da entidade:

"O Greenpeace e a organização indigenista Opan (Operação Amazônia Nativa) pediram hoje ao Ministério Público Federal a apuração dos graves incidentes ocorridos há dois dias em Juína, no Mato Grosso, que resultaram na expulsão, por fazendeiros, de um grupo de representantes da Opan, ativistas do Greenpeace e dois jornalistas franceses.Entre os ambientalistas estava o coordenador do Greenpeace na Amazônia, Paulo Adario.Cópias de duas horas de imagens em vídeo documentando ameaças, ofensas e o processo de expulsão do grupo foram entregues agora à tarde ao Procurador Federal da República em Mato Grosso, Mário Lúcio Avelar.[...]"


"É inaceitável que fazendeiros, com o apoio de autoridades locais, cerceiem a liberdade que todo cidadão tem de ir e vir e revoguem a Lei de Imprensa, cassando o direito de jornalistas exercerem sua profissão com segurança".

O grupo do Greenpeace, da Opan e os jornalistas franceses foram expulsos por fazendeiros na segunda-feira pela manhã (20/08), depois de ser mantido durante toda a noite sob vigilância em um hotel da cidade. O grupo de nove pessoas estava de passagem por Juína e seguia em direção à terra indígena Enawene-Nawe.O objetivo da viagem era documentar áreas recém-desmatadas, além de mostrar a convivência de um povo indígena que vive de agricultura e pesca com a floresta e seu papel em preservar a biodiversidade.No final da tarde de domingo, fazendeiros abordaram integrantes das duas organizações no hotel onde estavam hospedados, querendo saber quem eram e o que estavam fazendo em Juína.A área onde está localizada a terra indígena está em disputa entre os Enawene Nawe e os fazendeiros e expressa o conflito da expansão agrícola sobre áreas protegidas e territórios de povos indígenas.[...]


Os fazendeiros, por sua vez, alegam que a terra é deles e estão dispostos a lutar para mantê-las.
Eles se mostraram muito irritados quando souberam que jornalistas integravam o grupo que estava no hotel.
Na manhã seguinte, o local foi cercado por dezenas de fazendeiros e o presidente da Câmara Municipal, vereador Francisco Pedroso, o Chicão (DEM), que exigiam esclarecimento sobre os objetivos dos visitantes.
O grupo foi levado à Câmara Municipal, onde uma sessão especial foi rapidamente organizada.Estavam presentes o prefeito da cidade, Hilton Campos (PR), o presidente da Câmara, o presidente da OAB, o presidente da Associação dos Produtores Rurais da região do Rio Preto (Aprurp), Aderval Bento, vários vereadores e mais de 50 fazendeiros. E também a polícia.
Durante seis horas, os fazendeiros e repetiram que a entrada do grupo na terra Enawene Nawe não seria permitida e que seria "perigoso" insistir na viagem.Esmurrando a mesa, o prefeito de Juína, Hilton Campos, afirmou que não iria permitir a ida do grupo para o Rio Preto, sendo aplaudido fervorosamente pelos colegas fazendeiros.

Para evitar maiores conflitos, a viagem foi cancelada.O grupo, então, se dirigiu ao local de encontro com os Enawene, uma ponte sobre o Rio Preto, a 60 km de distância, para dar a eles combustível e comida para a volta. A viagem foi feita sob escolta policial, para garantir a segurança dos jornalistas, da Opan e do Greenpeace.Mas nem isso evitou que os fazendeiros, que acompanharam a viagem de ida e volta em 8 oito caminhonetes lotadas, continuassem intimidando e ameaçando o grupo.O grupo se refugiou no hotel de onde não pôde sair nem para comer. Uma viatura da Polícia Militar ficou na área, para impedir qualquer tentativa de invasão, mas não conseguiu impedir que um fotógrafo fosse agredido.
Os fazendeiros fizeram uma vigília na frente do hotel durante toda a noite.


De manhã cedo, 30 caminhonetes lotadas de fazendeiros, com faróis acessos a buzinando sem parar, insultando e ameaçando o grupo, escoltaram o grupo, que estava protegido por duas viaturas policiais, até o aeroporto.Foram advertidos a decolar imediatamente, ou o avião seria queimado. No momento, todos se encontram em segurança em Cuiabá."


Leia o texto completo no site do Greenpeace:

http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/noticias/fazendeiros-e-pol-ticos-expuls

Foi noticiado pelo jornal britânico Guardian:

http://commentisfree.guardian.co.uk/


Publicado em 30 de agosto de 2007


terça-feira, 14 de agosto de 2007

50 anos da Revolta dos Colonos do Sudoeste do Estado

Meus queridos,
Domingo próximo, dia 19 de agosto, será realizada a 22ª Romaria da Terra.
Terei que percorrer uma grande distância de Curitiba até Francisco Beltrão mas, desde já, meu coração se alegra na esperança de me reencontrar com os agricultores de todo o Estado do Paraná nesta linda festa. Não dá para descrever a beleza e a alegria de uma Romaria da Terra, só mesmo estando lá.
Nédier
Romaria celebra Revolta dos Colonos

Os 50 anos da Revolta dos Colonos é o tema da 22ª Romaria da Terra do Paraná, que acontece no próximo dia 19, em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Estado. As atividades irão reunir colonos e lideranças que se envolveram na Revolta de 1957, para compartilhar suas experiências com os cerca de 25 mil participantes esperados. Com o lema
“Na luta da terra fazemos mudança, conosco caminha o Deus da Aliança"
o objetivo da Romaria é refletir sobre a organização popular dos trabalhadores rurais do Brasil nos dias de hoje, como aponta o integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Jelson de Oliveira.
“A Romaria vai dar esse enfoque grande para os movimentos sociais do campo. A idéia é mostrar que os trabalhadores continuam organizados, as mesmas forças que queriam tomar as terras dos posseiros naquela época, continuam hoje expulsando o povo das suas terras”, denuncia.
Através do resgate da história da Revolta dos Colonos, a Romaria pretende mostrar que os pobres não são apenas vítimas do agronegócio, mas também são protagonistas na luta contra esse modelo. O governo da época tentou se apropriar das terras de camponeses e entregá-las às companhias colonizadoras, que iriam revender os títulos.Os agricultores, em sua maioria gaúchos que colonizaram a região Sudoeste, lutaram contra o governo e conseguiram permanecer na terra.
“Essa revolta é uma luta popular, eles trancaram várias cidades da região, em outubro de 1957, 5 mil colonos ocuparam a cidade de Francisco Beltrão e expulsaram de lá as chamadas companhias colonizadoras. Eram companhias que tinham conseguido do governo do Estado a possibilidade de vender os títulos de terra pros posseiros”,
declara.
A luta pela terra no Paraná ainda enfrenta vários desafios, com a expansão dos monocultivos de cana-de-açúcar, pínus e eucalipto, e o problema do trabalho escravo, que também será denunciado pela CPT.
“Temos atualmente no Paraná a expansão do agronegócio, de maneira especial, a cana e a madeira: como pinus e eucalipto. A beira de Curitiba está cercada por estas lavoura, com um custo ambiental e social enorme pra população. Já tivemos cinco casos de trabalho escravo, nos últimos dois anos, na beira de Curitiba, que são reflexo desse modelo de agricultura que vem sendo implantando no Estado” , denuncia.
No final da caminhada, ocorre uma celebração ecumênica, com a presença de pastores e padres. Ano passado, a Romaria aconteceu em Tamarana, no Norte do Paraná, uma das regiões mais pobres do Estado. Os 20 mil participantes denunciaram as conseqüências da expansão do agronegócio para o meio social.

Solange Engelmann
Agência Chasque

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

22ª ROMARIA DA TERRA SERÁ REALIZADA NO MUNICÍPIO DE FRANCISCO BELTRÃO

21ª Romaria da Terra em Tamarana/PR

D. Tomás Balduíno

22ª ROMARIA DA TERRA DO PARANÁ DEVE REUNIR 25 MIL EM FRANCISCO BELTRÃO

A Comissão Pastoral da Terra e as demais entidades organizadoras da 22ª Romaria da Terra do Paraná esperam reunir 25 mil pessoas no próximo dia 19 de agosto em Francisco Beltrão. O evento de cunho religioso organizado anualmente pela CPT tem como tema esse ano a celebração dos 50 anos da Revolta dos Colonos do Sudoeste e pretende refletir sobre a mobilização social do campo, com o lema Na luta da terra fazemos mudança, conosco caminha o Deus da Aliança!
Comunidades de todo o Paraná já receberam neste mês o cartaz e o texto-base da Romaria, com imagens e relatos da Revolta de 57 e das lutas do povo do campo nos dias atuais. Em Francisco Beltrão, os preparativos para a recepção dos romeiros já estão bastante adiantados e várias comunidades e organizações já se mobilizam para acolher os visitantes que passarão o dia em Francisco Beltrão.
PROGRAMAÇÃO DA ROMARIA
Inúmeras equipes de trabalho estão organizadas para garantir a segurança e a tranqüilidade do evento. Desde as cinco horas da manhã do dia 19 de agosto, um grupo de 60 jovens estará posicionado para fazer a recepção e acolhida dos romeiros que se dirigirão à Praça Central de Francisco Beltrão. Por volta das 6h as paróquias e comunidades da Diocese de Francisco Beltrão vão começar a servir café da manhã para os visitantes. Para isso estão coletando doações de pães, bolos, bolachas, café, margarina, geléias, etc.
Às 8h está programado a abertura oficial do evento, que vai contar com encenações, cantos, orações, apresentações e reflexão. A idéia dos organizadores é fazer uma memória das motivações e formas de organização que levaram à Revolta de 1957: para isso serão usados caminhões para transporte dos colonos, telões pintados com imagens das construções da época, além de vários símbolos e gestos. O objetivo é que os romeiros se sintam parte da mesma luta, a qual continua animando o povo nos dias de hoje. Por se tratar de uma celebração ecumênica, várias autoridades civis e religiosas participarão desse primeiro momento da Romaria.
Às 11h da manhã terá início a caminhada pelas ruas da cidade até o local de concentração final, onde haverá almoço e a festa e feira das sementes. Na parte da tarde a celebração pretende resgatar os resultados da luta dos colonos ontem e hoje, celebrada através do resgate das sementes. No final da celebração os romeiros partilharão alimentos produzidos na região, entre os quais polenta, batata doce, salame, torresmo e frutas. O encerramento da celebração está previsto para as 16h.
MAIORES INFORMAÇÕES: cpt@cpt.org.br ou www.cpt.org.br
Curitiba-Paraná-Brasil, 27 de junho de 2007.
COMISSÃO PASTORAL DA TERRA DO PARANÁ

terça-feira, 26 de junho de 2007

Roberto Baggio - um pouco da história do MST do 1º ao 5º Congresso

Roberto Baggio - 5º Congresso em Brasília
"As cinco ou seis principais empresas que dominam a agricultura no mundo têm sedes instaladas no Paraná".

Entrevista especial com Roberto Baggio

Um pouco da história do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do 1º ao 5º Congresso é contada por Roberto Baggio, uma das principais lideranças do Movimento no Brasil. Baggio acompanha a lutas dos sem terra no Paraná desde o início dos anos 1980.
Na entrevista concedida à IHU On-line na secretaria estadual do MST do Paraná, Roberto Baggio fala dos principais desafios do movimento social brasileiro e da necessidade de se reconstruir uma esquerda de lutas no país. A entrevista foi feita pelos colegas do CEPAT, parceiro estratégico do IHU.
Baggio comenta ainda a profunda decepção do Movimento com o governo Lula e das tensões e concordâncias em muitos aspectos com o governo
Roberto Requião e destaca a importância da 6ª Jornada de Agroecologia que acontecerá em julho, em Cascavel (PR).
Acompanhe a entrevista:


- Você contribuiu ativamente na organização do 1º Congresso Nacional do MST em Curitiba em 1985. Agora acaba de participar do
5º Congresso do Movimento. Nesses mais de 20 anos de caminhada do Movimento o que poderia ser destacado?


O 1º Congresso Nacional do MST realizado em Curitiba contou com uma equipe que ajudou a estruturá-lo. Eu estava entrando no Movimento. Nessa primeira fase do Movimento, digamos dos anos 1980 até os anos 1990, 1995, o MST se construiu com um movimento nacional, autônomo, de luta pela Reforma Agrária, um Movimento de aglutinação dos camponeses com o objetivo de lutar por mudanças estruturais na sociedade. Esse primeiro período da história foi um período de criar um conjunto de instrumentos e de condições para que o Movimento se afirmasse, se consolidasse e se construísse enquanto uma organização política nacional de camponeses que lutam pela Reforma Agrária.
Podemos afirmar que desde a sua origem o MST se caracteriza como um processo permanente de organização dos camponeses, de métodos organizativos, de organização das lutas de massa, da formação, da produção, da educação, na busca de alianças com o conjunto de forças da sociedade. Tudo isso faz parte dessa grande construção que nos levou até o 5º Congresso, onde continuamos a construção organizativa, política, ideológica do MST.


Que elementos você destacaria como importantes na história do Movimento?


Sempre houve uma preocupação de construir um Movimento que preservasse a autonomia política em relação ao Estado, ao governo, aos setores de igreja, dos partidos, ou seja, o Movimento sempre trabalhou de forma conjunta, de forma articulada, mas sempre preservou a sua autonomia política. Ouve opiniões, mas reserva esse elemento, o da autonomia, como elemento central em sua concepção. De certa forma a autonomia percorre a nossa existência.

- Acredito que o fato de termos sempre preservado a autonomia do ponto de vista político foi um grande acerto na nossa construção.

- O segundo elemento é a preocupação permanente de construir um movimento nacional, em função de que a questão da propriedade, a questão da terra, a questão agrária é um problema estrutural, nacional. O desafio foi o de construir o Movimento no Brasil inteiro, principalmente na região Nordeste do país. 46% dos camponeses estão na Região Nordeste. O fato de o Movimento ter se construído nessa região eu acho que é um grande acerto, ou seja, o movimento hoje é nacional. Tem uma cara nacional e incorporou um conjunto de questões regionais, locais, mas tem uma unidade política nacional e esse é um fator importante.

- O terceiro elemento que eu considero importante nesse processo foi o fato de ter acreditado e ter estimulado as lutas como fator determinante para conseguir conquistas, de fazer pressão e de acumular forças. A dinâmica da luta sempre foi um elemento que ajudou, digamos a criar um pouco esse jeito de ser do MST. As mais diversas formas de luta e não só o acampamento, mas as ocupações, as marchas, as ocupações de órgãos públicos, enfim um conjunto de formas de luta que digamos assim estimulou muito no sentido de inovar.

- Um quarto elemento foi o fato de o movimento ter apostado muito na formação política, na compreensão que o acesso à cultura, ao conhecimento, a importância de se dedicar ao estudo, à reflexão sempre foram componentes importantes na nossa construção, ou seja, a organização precisa de militância preparada, que se dedica ao trabalho, ao estudo, à reflexão. Creio que incorporamos essa cultura entre os camponeses, o da necessidade do estudo como elemento central na vida das pessoas. Penso que isso ajudou a fortalecer e a colocar, digamos o movimento no estágio em que se encontra de lutas de classe no Brasil.


As bandeiras de luta do MST de 1985 são as mesmas do MST de 2007? Que outras bandeiras de luta surgiram?


Penso que nesse grande processo de construção, de estudo, de reflexão e também de amadurecimento interno, nós fomos também amadurecendo a leitura sobre a realidade brasileira. Ajudaram-nos nesse processo de ter uma compreensão mais concreta sobre o que é a realidade agrária brasileira também a contribuição de muitos intelectuais, muitos professores e isso nos possibilitou pautar outras questões, outros temas. Então, eu penso que alguns elementos e bandeiras de luta nós fomos incorporando. Entre eles, por exemplo, um inimigo muito poderoso, muito bem estruturado, que nós chamamos de agronegócio, associado ao grande capital internacional.
Essa realidade evidente do
agronegócio nós não tínhamos nos anos 80, 90, mas temos hoje. Então, para enfrentar um inimigo dessa natureza que se articula internacionalmente e que se utiliza do aparelho do Estado como refém para implementar as suas políticas, exige-se do nosso lado uma compreensão política de que sozinhos nós não vamos conseguir enfrentar um inimigo tão poderoso. Aqui surgiu a idéia de contribuir na construção da Via Campesina enquanto uma organização que aglutina todas as frações, todos os setores que vivem e atuam em torno de um projeto de vida para os camponeses. A construção da Via Campesina nos estados, no país, no continente latino-americano e no mundo, foi um elemento importante nessa perspectiva de perceber de que precisamos ir juntando forças para enfrentar um inimigo tão poderoso que é o capital transnacional.
Ao mesmo tempo nesses anos fomos incorporando outros elementos, como por exemplo, a importância que tem a Reforma Agrária para os centros urbanos. Nós não vamos vencer e derrotar a burguesia brasileira se não tivermos uma aliança com os setores urbanos, porque hoje a grande maioria da população vive nos grandes centros. Nessa perspectiva se construiu todo um conjunto de políticas relacionadas à sociedade urbana, na qual o MST vai se envolvendo em atividades urbanas e vai criando uma identidade de classe com a perspectiva da construção de um projeto popular. Um projeto que enfrente o modelo que privilegia o capital internacional, ou seja, na essência o neoliberalismo.
Essa aproximação com o mundo urbano nos ajudou e também nos deu oxigênio para continuarmos respirando e encontramos muitos aliados nessa luta maior. Acho que o desafio central agora é como avançar enquanto classe camponesa, enquanto trabalhadores do mundo urbano na perspectiva de superar o modelo atual e transitar pra um novo modelo de sociedade que supere os marcos do capitalismo.


O MST avalia que com o governo Lula se encerrou um ciclo da esquerda brasileira que teve início com a construção do PT e da CUT nos anos 1970. No que apostar daqui para frente?


Eu avalio que mudanças exigem acúmulo de forças e uma organização política. As mudanças não ocorrem à revelia ou de forma espontânea. Precisamos organizar ferramentas que contribuam na organização da população. O que nós estamos vivendo hoje é um processo de grande crise ideológica, uma grande crise nos métodos de organização, de formação. Acreditou-se que com o PT chegando ao governo já se tinha cumprido a missão e agora percebemos que tudo isso foi insuficiente. Percebemos que precisamos continuar com a organização social, com a mobilização do povo para realizar as mudanças estruturais! E para fazer mudanças estruturais é preciso ter organizações sólidas, que se dediquem ao estudo, que organizem a população, que mobilizem e que tenham como projeto central resolver os problemas essenciais do povo brasileiro e não resolver os problemas individuais e pessoais de pessoas, ou de interesses específicos.
Vamos ter que continuar com essa missão. A missão não está encerrada, a tarefa que temos pela frente, para a esquerda brasileira é dar continuidade a esse processo, estimular o trabalho de base, a formação política buscar um reascenso da luta social. Acredito que o povo brasileiro está preparado para fazer grandes mudanças e para isso é preciso construir organizações que dêem solidez, que se organizem em torno de um programa, de uma plataforma de luta para conduzir esse processo de grandes mudanças estruturais no futuro em nosso país.
Portanto, restam tarefas importantes para a esquerda brasileira...
Eu acho que as mudanças estruturais de qualquer natureza dependem da organização do povo e dependem de organizações políticas. Essas duas questões estão permanentemente entrelaçadas e interligadas. A tarefa central que está colocada nesse momento é o de estimular as organizações, as lutas, porque é através das mobilizações, das lutas que se vai criando um caldo de cultura, de esperança, de ânimo, de mística para ascender, digamos assim, o fogo geral na sociedade.
Enquanto isso temos que ir se preocupando com as outras tarefas: continuar o trabalho de formação de militantes, construir alianças com os demais setores, construir laços de solidariedade, ir fazendo o debate em torno do projeto, que tipo de mudanças queremos construir, ou seja, há espaços e precisamos construir uma esquerda, dar continuidade à construção de uma esquerda comprometida, socialista, solidária para a cumprir a tarefa central que é fazer as transformações estruturais nesse país. Todo o continente esta mudando, está fervendo, está em dinamismo constante, entrou na cena política.
O Brasil está olhando esse cenário de costas, anestesiado. Então, do que nós precisamos? É ir estimulando, criando ambiente de alegria, de participação, de organização, de mobilização, de formação da consciência para a gente ir, digamos, se associando, interagindo com o restante do continente. Eu acho que no Brasil há sinais nessa perspectiva e eu acho que nos vamos retomar essa grande caminhada que ficou interrompida durante certo período.


A direção do Movimento é crítica aos rumos do governo Lula, já as bases se identificam com o presidente. É correta essa percepção?


Veja bem, o que nós estamos tentando compreender é que mudou a natureza da Reforma Agrária. A estrutura agrária que nós imaginávamos ser possível de ser alterada a partir dos anos 90 está agora, passados quase 30 anos, hegemonizada pelo capital transnacional. As grandes fazendas modernas que produzem para a agroexportação, de certa forma inviabilizaram qualquer possibilidade de nós construirmos um projeto de Reforma Agrária massiva, que distribua a terra. O capital não precisa mais distribuir a terra para resolver os problemas que ele tem aí.
Então nessa perspectiva o Estado brasileiro está refém, está dominado pelos grandes interesses do capital. Com a agravante que o governo Lula não ficou do lado popular, não nos ajuda. Ele optou e estimula a política do grande capital transnacional. Nesse cenário a ação do MST é uma ação de persistência, de combate, de esperança para que se retome o reascenso da luta de massas e que na medida em que se estimular o reascenso das lutas de massas, consigamos pressionar de tal forma o governo, para que com isso ocorram mudanças nos marcos da Reforma Agrária.
A fase atual é muito difícil, muito complexa e não basta apenas a nossa vontade enquanto militantes. As condições que estão colocadas hoje, são condições muito difíceis e o lado de lá, digamos assim está muito mais estruturado, está muito mais capitalizado e não tem interesse nenhum de abrir mão de nenhum palmo de terra em prol da Reforma Agrária. A Reforma Agrária no momento atual ganhou uma natureza mais de disputa política. É uma disputa contra um outro projeto.
Nós estamos disputando modelos de como organizar a agricultura brasileira. De um lado, temos o modelo do grande capital transnacional, da grande fazenda, que destrói o meio ambiente que quer agora produzir o etanol, o agrocombustível e por outro lado, estamos fazendo o debate de que a agricultura seja colocada a serviço do atendimento das necessidades centrais de um país, de um povo, que é a comida, o alimento, a moradia... Então, há um embate desses projetos. Agora a desvantagem nossa é que o outro lado está hegemonizando o processo e o governo Lula está escorando, estimulando o agronegócio.


Mas e a base do MST com relação ao governo Lula?


A base do MST é uma base que continua lutando e se mobilizando. Os acampamentos continuam, também as ocupações. Não apenas a base, mas o conjunto do MST esperava que pelo menos o governo Lula cumprisse o seu programa partidário, não é? Que o PT ajudou constituir, que ajudou a elaborar e que previa a Reforma Agrária, apoio à agricultura familiar, à produção de alimentos. Então, nós estamos sendo praticamente esquecidos. Com também estão sendo esquecidas as bandeiras históricas de lutas, que o conjunto dos camponeses, dos técnicos, das organizações sociais e políticas ajudaram a constituir.Nós não imaginávamos que teríamos um grande programa avançado, radicalizado e tudo o mais, mas também não imaginávamos que iríamos ficar aquém, com essas migalhas pequenas de políticas compensatórias que a gente vê na política agrária do governo federal. O governo tem uma dívida grande não só com o MST, mas com classe camponesa, com os pobres que vivem no campo.


E no Paraná, quais são as principais lutas do MST?


As lutas do MST são lutas de nível nacional. Não há uma característica específica. Nós estamos num processo de continuidade das grandes mobilizações, da grande luta pela Reforma Agrária. Aqui nós estamos no enfrentamento mais direto com os grandes símbolos do agronegócio, das sementes transgênicas, do grande complexo do capital internacional. As cinco ou seis principais empresas que dominam a agricultura no mundo têm sedes instaladas aqui no Paraná. Produzem sementes transgênicas aqui, realizam experimentos e nós de certa forma, em conjunto com a Via Campesina, em conjunto com a Jornadas de Agroecologia, estamos construindo um grande movimento em defesa da Agroecologia e também identificando quem são os grandes inimigos da natureza e dos pobres, quem são essas grandes empresas transnacionais: a Cargill, a Syngenta, a Bunge, a DM e outras mais. Nós estamos nesse processo de tentarmos nos fortalecer internamente e ao mesmo tempo combater as grandes empresas transnacionais.
Muitos identificam o MST no Paraná ligado ao governo de Estado Roberto Requião.

Como é de fato a relação do MST com o governador e qual é a avaliação que o MST faz do governo Requião?


O MST nacionalmente tem um conjunto de princípios que ele sempre tenta preservar. Então, o princípio central na nossa relação com o governo do Estado, com o governo Lula é o de manter a nossa autonomia política. Preservamos a autonomia política. Assim como o MST é autônomo em relação ao governo Requião, o Requião também é autônomo com relação ao MST. Mas nós temos uma leitura que tanto o governo Requião como o MST, são duas forças políticas no Estado. E que de certa forma, no conjunto da militância do MST, nos processos eleitorais em função de ser uma militância politizada, que faz uma leitura política, tem optado por escolher os governantes que possam contribuir e apoiar o processo da Reforma Agrária.
O conjunto da militância do MST, dos assentamentos, do ponto de vista eleitoral, no segundo turno, sempre fez uma opção por governos que tivessem mais simpatia e compromissos em torno da Reforma Agrária. Agora também nós precisamos entender que do ponto de vista da Reforma Agrária, a competência é do governo federal. Então podemos afirmar que o MST tem mantido uma relação com o governo tensa, de disputa, de dificuldades, de problemas em função da natureza da Reforma Agrária. A natureza da Reforma Agrária é uma natureza complexa e geralmente cabe ao governo do Estado o uso da polícia militar para cumprir a ordem judicial.
Então a gente sempre fala que a maior contribuição que um governo, que um prefeito poderia dar para um processo de Reforma Agrária, principalmente os governos estaduais, é o de manter o diálogo, é conversar, é negociar e não utilizar a força policial de forma bruta para despejar. Então nós estamos em um processo permanente de luta, de disputa, de debate, de despejo, de reocupação, de acampamentos. Essa é a dinâmica da Reforma Agrária e a melhor forma do governo contribuir com a Reforma Agrária é não dar reintegração de posse dos latifúndios ocupados, improdutivos ou em processos de desapropriação.


Qual é a avaliação que o MST faz do governo Requião?


Olha nós não temos uma avaliação mais aprofundada, porque não é o nosso foco principal. Mas achamos que algumas bandeiras de luta que o governo do Estado encampou é cheia de simbolismo político. Entre elas o fato de ter transformado o Paraná em um território livre de transgênico e sem agrotóxico. Essa medida que o governo de Estado adotou faz parte da caminhada proposta pelo movimento social. Foi a jornada de agroecologia que nós iniciamos no Paraná a partir do ano 2001. Então, esse dinamismo que ganhou no Paraná a agroecologia é um processo que foi aglutinado no conjunto das forças populares, progressistas, sindicais, ongs, Centros de pesquisas, movimentos que foram construindo uma plataforma em torno da agroecologia.
É a partir desse processo que nós pedimos para o governo, que fosse editado uma lei que transformasse o Paraná em território livre de transgênico. Também articulamos na Assembléia Legislativa e um dos parlamentares do PT entrou com um projeto de lei, transformando o Paraná em um Estado livre de transgênico e o governo sintonizado com todo esse processo, sancionou a lei. Então, digamos as conquistas, os acúmulos, os debates, sempre se você for ver, tem a sua origem no movimento popular. E a outra grande medida que nós achamos muito importante, do ponto de vista mais político e tem um simbolismo maior é a decretação de utilidade pública dos experimentos da
Syngenta lá em Santa Tereza do Oeste.
O governo de Estado desapropriou uma estação experimental da empresa
Syngenta, que é a segunda maior empresa de sementes do mundo e que estava fazendo experimentos ilegais de soja e de milho transgênico e agora nós descobrimos que os experimentos do milho transgênico estão voltados para a produção do etanol. Trata-se de um embate com o grande capital internacional, de uma posição corajosa e que tem todo o apoio do MST e mesmo da Via Campesina em nível internacional, que reconhece a decisão como um medida corajosa do ponto de vista que o governo começa a combater o grande capital internacional e a preservar os interesses da nossa agricultura.
Também a
luta contra os transgênicos, contra os pedágios, contra as privatizações. É um conjunto de políticas, progressistas e interessantes que historicamente fazem parte da plataforma de lutas do movimento popular. Eu acho que o que o movimento popular tem que entender e compreender que precisa continuar com a sua missão. O movimento social tem uma tarefa, o governo tem outra tarefa. Mas a tarefa principal continua sendo a do movimento social, pois é ele que toma as iniciativas, que se preocupa com as tarefas mais organizativas, mais políticas, de formação, de articulação e são tarefas permanentes, constantes do movimento social. Isso não é tarefa do governo. O governo tem que respaldar as iniciativas do movimento social. Eu acho que muitas das políticas em torno da agricultura, o governo Requião tem apoiado e respaldado o conjunto de propostas do movimento social, da Via Campesina e do MST.


O Estado do Paraná realiza nesse ano a 6ª Jornada de Agroecologia em Cascavel. Qual é o caráter dessa Jornada e sobre o que ela pretende chamar à atenção?


Essa será uma bela Jornada e a nossa expectativa é de reunir cinco mil militantes: pedagogos, professores da agroecologia, camponeses. O objetivo central é dar continuidade a denúncia de que as transnacionais, os agrocombustíveis representam uma ameaça à natureza, ao planeta Terra e ao conjunto das formas de vida existentes no planeta. Se continuar esse marco, essa lógica de se apropriar da natureza, dos recursos naturais, da água e transformar tudo em mercadoria em benefício das empresas transnacionais, esse modelo não se sustenta.
Então, nós vamos continuar com essa denúncia de que o planeta corre risco de vida com essa lógica gananciosa do capital internacional de se apropriar do que é do conjunto do povo brasileiro. Ao mesmo tempo, nós vamos fazer propaganda de tudo o que nós já construímos em torno da agroecologia. Então no Paraná tem um grande movimento pela agroecologia que vai se constituindo e vai se firmando. Nós temos uma riqueza de experiências em torno das sementes agroecológicas, na produção de alimentos, em iniciativas de capacitação, de formação de técnicos, de formação de professores, de escolas, de centro de pesquisas, que já nos dão uma base suficiente, uma base material e ampla para enfrentar esse modelo do grande capital internacional.
O movimento pela agroecologia já tem bases suficientes para dizer: esse modelo não serve e nós queremos um novo modelo que produza alimentos saudáveis, que preserve a soberania, que preserve o meio ambiente, que produza alimentos sadios e que tenha uma relação harmoniosa das pessoas com a natureza. Então a Jornada vai fazer toda essa reflexão e no final da Jornada nós vamos apresentar uma grande Carta do ponto de vista de um conjunto de compromissos que o conjunto de militantes dos camponeses, dos técnicos vai assumir no sentido de preservar a biodiversidade.
Não podemos abrir mão da biodiversidade. A biodiversidade deve continuar sendo um bem do planeta, coletivo, comunitário, popular e a serviço da sociedade e jamais privatizado pelo grande capital. Então, a Carta da Biodiversidade vai ser um grande referencial do ponto de vista de continuarmos a construção dessa política aí. Será um belo evento, massivo e bem organizado e acreditamos que vai ser um sucesso.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Preciso, para - de Marina Colassanti - para a Marisa


Preciso, Para

Marina Colassanti



“ Preciso que um barco atravesse o mar
lá longe
para sair dessa cadeira
para esquecer esse computador

e ter olhos de sal
boca de peixe
e o vento frio
batendo nas escamas .

Preciso que uma proa
atravesse a carne
cá dentro
pra andar sobre as águas
deitar nas ilhas
e olhar de longe esse prédio

essa sala
essa mulher sentada
diante do computador
que bebe a branca luz eletrônica
e pensa no mar .”

Dedico esta página para a Marisa Giglio, que me manda lindos textos, lindas poesias como esta, formatados com muito bom gosto em pps maravilhosos


quinta-feira, 24 de maio de 2007

23 de maio - Dia Nacional de Lutas

Manifestantes tomam a Avenida Paulista no dia 23 de maio (Foto: Mateus Alves)

Jornada de lutas dá início ao fortalecimento da esquerda brasileira
Escrito por Mateus Alves
24-Mai-2007

Sob a incessante chuva que castigava a região da Avenida Paulista, centro financeiro da capital paulistana, milhares de militantes de diversos setores e entidades se aglomeravam ao redor do carro de som na tarde do dia 23 de maio. A demonstração, organizada por um conjunto de entidades, sindicatos e movimentos sociais, deverá se tornar um marco histórico na reaglutinação de forças da esquerda brasileira, que lentamente se dispersaram durante o primeiro mandato do presidente Lula.
Centrados no combate à reforma da previdência, à emenda 3, à política econômica vigente, à criminalização dos movimentos sociais e em defesa do direito de greve que vem sendo atacado pelo governo federal - além de outras bandeiras históricas da esquerda no Brasil -, as manifestações atraíram cerca de 1,5 milhão de pessoas em todo o país e foram, segundo avaliação das próprias entidades organizadores, um imenso sucesso.
“Foi uma vitória importante, de todos os que participaram”, diz Dirceu Travesso, da central sindical Conlutas e ex-candidato ao governo de São Paulo pelo PSTU. As principais manifestações no estado de São Paulo tomaram lugar, além da capital, em Santos, em Campinas e no Vale do Paraíba.
José Batista, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) - outra entidade de expressão na esquerda brasileira que teve papel de grande importância nas movimentações do dia 23 -, concorda com a avaliação de sucesso total.
“Essa jornada foi importante para dar auto-estima para a militância e para dar a confiança para as bases das categorias de que é possível fazer a luta conjunta”, diz.
Além da Emenda 3
A CUT (Central Única dos Trabalhadores), principal central sindical do país, também estava entre as entidades que participaram dos eventos. Apesar de posições outrora em sintonia com os ditames do governo Lula, seu propósito no dia 23 foi engrossar o coro pela manutenção do veto à Emenda 3, cuja eventual aprovação tornaria possível que empresas contratassem trabalhadores através de contratos com PJs (pessoas jurídicas) – ou seja, uma flexibilização profunda das leis trabalhistas em vigor no Brasil.
No entanto, Dirceu Travesso acredita que o problema é mais grave e que os embates não podem se limitar apenas à questão da Emenda 3. “Não há forma coerente de se defender os direitos dos trabalhadores do país que não a organização dos movimentos e a ida à luta com a meta de derrotar tanto o governo federal como os governos estaduais que promovem políticas de retrocesso nas relações trabalhistas”, diz o sindicalista.
Outros grupos que estiveram presentes na jornada de lutas, como o MST, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas), trouxeram a público novamente suas tradicionais reivindicações.
No caso das entidades estudantis, a grande quantidade de militantes presentes às atividades do dia 23 – no evento da Avenida Paulista, cerca de metade dos participantes eram estudantes do ensino público médio e superior – serviu como nova prova do descontentamento com as políticas para o setor praticadas pelo governo de José Serra e como forma de apoiar os estudantes que, até o dia 24, ainda ocupavam a reitoria da USP (Universidade de São Paulo) com o intuito de lutar pela manutenção da autonomia da universidade e por melhorias na infra-estrutura universitária.
Para o futuro
Com o primeiro passo rumo à reaglutinação da esquerda brasileira dado, as entidades deverão, em breve, analisar qual o futuro para os setores combativos no país. A luta conjunta, no entanto, deverá seguramente ser a tônica de quaisquer novas empreitadas contra atentados aos direitos sociais.
“O mais importante é a unidade e continuar com essa aglutinação, até porque, para combater os pontos que elencamos, é preciso muito mais luta”, diz o militante sem-terra José Batista.
Para ele, a continuidade do processo envolverá a formação da consciência da militância e das bases de todas as categorias para que “seja possível reacender o movimento de massas no Brasil”.
“A nossa capacidade de procurar algo mais contundente e mudanças mais profundas será por meio da garantia da unidade e pela mobilização de muita gente”, conclui Batista, demonstrando entusiasmo na recuperação da força de outrora pela esquerda brasileira.

Mateus Alves é jornalista.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Para a Clara

Clara

Clara é a cor

da água cristalina,

da luz das estrelas,

das manhãs de sol.

Clara é a força

na cara dos justos

e a esperança

num mundo de paz.

Clara é a alegria

que nasceu na Espanha

e encheu de luz

meu coração de avó.

Nédier

Escrito em 17/10/97, na Maternidade de Valência, Espanha.