domingo, 16 de agosto de 2009

Marina Silva para Presidente...pense.


Uma Silva sucessora de um Silva?


Não estou ligado a nenhum partido, pois para mim partido é parte. Eu como intelectual me interesso pelo todo embora, concretamente, saiba que o todo passa pela parte. Tal posição me confere a liberdade de emitir opiniões pessoais e descompromissadas com os partidos.
De forma antecipada se lançou a disputa: Quem será o sucessor do carismático presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
De antemão afirmo que a eleição de Lula é uma conquista do povo brasileiro, principalmente daqueles que foram sempre colocados à margem do poder. Ele introduziu uma ruptura histórica como novo sujeito político e isso parece ser sem retorno. Não conseguiu escapar da lógica macro-econômica que privilegia o capital e mantém as bases que permitem a acumulação das classes opulentas. Mas introduziu uma transição de um estado privatista e neoliberal para um governo republicano e social que confere centralidade à coisa pública (res publica), o que tem beneficiado vários milhões de pessoas. Tarefa primeira de um governante é cuidar da vida de seu povo e isso Lula o fez sem nunca trair suas origens de sobrevivente da grande tribulação brasileira.
Depois de oito anos de governo se lança a questão que seguramente interessa à cidadania e não só ao PT: quem será seu sucessor? Para responder a esta questão precisamos ganhar altura e dar-nos conta das mudanças ocorridas no Brasil e no mundo. Em oito anos muita coisa mudou. O PT foi submetido a duras provas e importa reconhecer que nem sempre esteve à altura do momento e às bases que o sustentam. Estamos ainda esperando uma vigorosa autocrítica interna a propósito de presumido “mensalação”. Nós cidadãos não perdoamos esta falta de transparência e de coragem cívica e ética.
Em grande parte, o PT virou um partido eleitoreiro, interessado em ganhar eleições em todos os níveis. Para isso se obrigou a fazer coligações muito questionáveis, em alguns casos, com a parte mais podre dos partidos, em nome da governabilidade que, não raro, se colocou acima da ética e dos propósitos fundadores do PT.
Há uma ilusão que o PT deve romper: imaginar-se a realização do sonho e da utopia do povo brasileiro. Seria rebaixar o povo, pois este não se contenta com pequenos sonhos e utopias de horizonte tacanho. Eu que circulo, em função de meu trabalho, pelas bases da sociedade vejo que se esvaziou a discussão sobre “que Brasil queremos”, discussão que animou por decênios o imaginário popular. Houve uma inegável despolitização em razão de o PT ter ocupado o poder. Fez o que pôde quando podia ter feito mais, especialmente com referência à reforma agrária e à inclusão estratégica (e não meramente pontual) da ecologia.
Quer dizer, o sucessor não pode se contentar de fazer mais do mesmo. Importa introduzir mudanças. E a grande mudança na realidade e na consciência da humanidade é o fato de que a Terra já mudou. A roda do aquecimento global não pode mais ser parada, apenas retardada em sua velocidade. A partir de 23 de setembro de 2008 sabemos que a Terra como conjunto de ecosissitemas com seus recursos e serviços já se tornou insustentável porque o consumo humano, especialmente dos ricos que esbanjam, já psssou em 40% de sua capacidade de reposição.
Esta conjuntura que, se não for tomada a sério, pode levar nos próximos decênios a uma tragédia ecológicohumanitária de proporções inimagináveis e, até pelo final do século, ao desaparecimento da espécie humana. Cabe reconhecer que o PT não incorporou a dimensão ecológica no cerne de seu projeto político. E o Brasil será decisivo para o equilíbrio do planeta e para o futuro da vida.
Qual é a pessoa com carisma, com base popular, ligada aos fundamentos do PT e que se fez ícone da causa ecológica?
É uma mulher, seringueira, da Igreja da libertação e amazônica.
Ela também é uma Silva, como Lula.
Seu nome é Marina Osmarina Silva.

Leonardo Boff, teólogo é autor do livro "Que Brasil queremos?" Vozes 2000.



Petropolis, 15 de agosto de 2009.

CÂNTICOS - CECÍLIA MEIRELES

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CÂNTICOS

CECÍLIA MEIRELES

XIII
“ Renova-te .
Renasce em ti mesmo .
Multiplica os teus olhos , para verem mais .
Multiplica os teus braços para semeares tudo .

Destrói os olhos que tiverem visto .
Cria outros , para visões novas .
Destrói os braços que tiverem semeado ,
Para se esquecerem de colher .

Sê sempre o mesmo .
Sempre outro .
Mas sempre alto .
Sempre longe .
E dentro de tudo .”
Meus amigos,
Quando eu estou, como agora, um pouco desorientada, sem inspiração pra nada a não ser pra nada fazer, a minha querida Marisa Giglio me manda um dos seus lindos pps. Como não existem coincidências, as lindas palavras, deste trecho de poesia da Cecília Meireles parecem que foram feitas para mim. Obrigada, querida.
Nédier

domingo, 9 de agosto de 2009

Carta a meu pai.


Pai,
Há 21 anos não convivemos, porém muito antes deste tempo, a doença, que já tinha nos privado das palavras e palavrões que você distribuia de forma tão gentil e democrática, colocara também nuvens de não reconhecimento em seu olhar.
Poucos minutos antes de você partir estávamos bem próximos. O meu braço enlaçava o seu travesseiro e percebi de repente que você recuperara a lucidez. Os seus traços e a sua expressão se refizeram como por um milagre. Você me olhou, ergueu as sobrancelhas e me perguntou em silêncio:
- O que que é isso, “porco cane” ?
Em silêncio respondi que você estava indo para um lugar melhor onde iria reencontrar seus pais, alguns irmãos e amigos. Pedi que você não insistisse em ficar, e abandonasse aquela roupa tão surrada do seu corpo que impedia você andar, falar e imprecar contra o mundo com humor.
Depois desta troca de palavras, feita em silêncio, você parou de respirar. A enfermeira retirou o soro e o oxigênio já inúteis para a tua nova vida e como ela faz parte da minha vida, respiro por você.
Quando o médico chegou e soube que você não o esperara, me afirmou, com olhos úmidos de tristeza:
- O seu Berto é a prova de que a bondade não está no corpo físico, mas em um lugar qualquer que eu não sei onde fica.

A neuro-lues de uma sífilis adquirida na adolescência e a meningite que apagou um dos seus olhos, muito azuis, deveriam tê-lo embrutecido. A lesão cerebral que ele ganhou atropelando um fusca e que o deixou por uns dias em coma, não alterou o seu comportamento.
Quando ele voltou do coma disse:
- Vamos pra casa. E continuou o mesmo.
Tivemos que consolar a jovenzinha que dirigia o fusca que ele quase destruiu, pois era um homem alto e forte que se recusava andar pela calçada e ela não sabia.

Vejo-o em mim, na expressão dos olhos, nos gestos, na integridade de ser sempre a mesma e de não me deslumbrar e nem me intimidar com nada e com ninguém.
Não sei se aprendi com você ou herdei de seus genes esta falta absoluta de respeito pelas “autoridades constituídas” e este pavor de aglomeramentos que hoje chamam de síndrome do pânico.
Você mal sabia ler e escrever e além de me ensinar a dançar, você me ensinou - com seu modo de ser, que a bondade supera todos os obstáculos.
Pai, hoje escrevo esta carta pra mim mesma, uma vez que você vive em mim, gostaria que ela substituisse o presente que você pedia e eu lhe dava todos os anos: uma camisa preta, vermelha ou de cor berrante, com indispensáveis bolsinhos que, segundo você, serviam para guardar a conta da luz.

Pai, hoje é o nosso dia, desculpe se escrevi tanto e muito obrigada por continuar sendo meu pai.
Nédier
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Imagem: Antonio Ramos

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Amigo traduz o que sentimos e nem sabemos. Compartilha.



Foto tirada pela minha neta Ana Clara, em Caiobá




SEM RESPOSTAS


assola-me

a consciência

da finitude,

do efêmero,


do limite...



onde a fronteira,

o extremo?


linha?
buraco?
ponto.


luz?

breu!

desintegro-me,

pouco a pouco,

na inconsistência

do eterno.



Rosane Coelho

http://www.rosanecoelho.prosaeverso.net/




Meus amigos,

Eu nem tomei conhecimento do Dia do Amigo. Nem sabia que amigo tinha dia. Só faltam dizer que amigo também tem hora. Marcada como consulta. Aprendi que amigo é pra toda hora e pro que der e vier.

Tenho poucos amigos, pouquíssimos, mas por eles vale viver esta vida.

Quando se vão, e muitos já se foram, eu sinto a dor real e inconsistente como devem sentir as pessoas que tem um membro amputado. Só consigo suportá-la por causa das lembranças dos momentos com-partilhados: Da cumplicidade em apenas um olhar.Do riso frouxo e incontrolável, às vezes sem motivo algum a não ser a alegria recíproca da presença.
Dos abraços apertados que trocam força, que apóiam ou que nos obrigam apoiar.Na dor ou na alegria momentânea.
Da mensagem inesperada surgindo nesta telinha branca.
Nesta tarde fria e escura em que me sinto desmoronar, é bom, muito bom, ter uma amiga como a Rosane.
Não tenho respostas, não tenho motivos, não tenho motivações, nem me percebo. devo estar imperceptível.

Esta linda " Sem Respostas" que ela me mandou como um presente, foi tirada do seu baú de Pandora onde permaneceu a esperança na beleza de palavras. Nascidas no parto mágico e diário do viver. Dia a dia.
Obrigada, Rosana,

Nédier, TVF


Parte do pequeno intróito que a Rosane fez ao mandar a "Sem Respostas":


"Nédier do meu coração

Ando meio passarinho na muda. Sinto como se estivesse trocando penas, pele, carne. Alma. Essa mutação acompanha-se do silêncio de não saber dizer.
Não sei se o momento é de chegar ou de ir.
Queria te fazer uma surpresa, mas careço de ânimo.
Pela mannhã, li no jornal que amanhã é Dia do Amigo(...)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

10 estratégias de manipulação por Noam Chomsky

Noam Chomsky na última conferência do Fórum Social Mundial - 28.01.03


O ginásio Gigantinho durante a palestra do lingüista Noam Chomsky no Fórum Social Mundial.27.01.03


"Além da sua investigação e ensino no âmbito da Linguística, Chomsky é também muito conhecido pelas suas posições políticas de esquerda e pela sua crítica da política externa dos Estados Unidos da América. Chomsky descreve-se como um socialista libertário..."
.....
Meus amigos,
Assisti uma das conferências de Noam Chomsky em um Fórum Social Mundial em Porto Alegre. Não tenho qualificativos para definir este homem. Sua sabedoria, seu bom-senso, a clareza de suas idéias, seus indiscutíveis argumentos políticos foram para mim uma fonte de esperanças em "um mundo melhor". Estas 10 estratégias de manipulação dão uma pequena idéia de seu talento e coragem.
Leiam e comprovem.
Nédier



10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO
por Noam Chomsky
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1. A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.
A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais" (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranqüilas".)

2. CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES

Este método também é chamado "problema-reação-solução". Se cria um problema, uma "situação" prevista para causar uma certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3. A ESTRATÉGIA DA DEGRADAÇÃO

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, é suficiente aplicar progressivamente, em "degradado", sobre uma duração de 10 anos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas tem sido impostas durante os anos de 1980 a 1990. Desemprego em massa, precariedade, flexibilidade, reassentamentos, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haviam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de forma brusca.

4. A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO

Uma outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública no momento para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, por que o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Em fim, isto dá mais tempo ao público pata acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

Um exemplo recente: a passagem para o Euro e a perca da soberania monetária e econômica tem sido aceitos pelos países Europeus em 1994-1995 para uma aplicação em 2001. Outro exemplo: os acordos multilaterais da ALCA (o FTAA) que os Estados Unidos tem imposto desde 2001 aos países de todo o continente americano (Central e Sul da América) apesar de suas reticências, concedendo uma aplicação e vigência diferida para 2005.

5. DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza um discurso, argumentos, personagens e uma entonação particularmente infantil, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante.

Por que?
"Se se dirige a uma pessoa como se tivesse a idade de 12 anos então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, uma resposta ou reação também desprovida de um sentido critico como a de uma pessoa de 12 anos de idade". (ver "armas silenciosas para guerras tranqüilas")

6. UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7. MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE

Fazer como que se o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.

"A qualidade da educação dada as classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre o possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores" (ver "armas silenciosas para guerras tranqüilas")

8. PROMOVER AO PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE

Promover ao público a achar "cool" pelo fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9. REFORÇAR A REVOLTA PELA CULPABILIDADE
Fazer o individuo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo auto-desvalida-se e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E sem ação, não há revolução!…

10. CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência tem gerado uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças a biologia, a neurobiologia e a psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o individuo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.


Fonte: http://poupatempo.blogspot.com/search/label/Noam%20Chomsky
Posted by lilaliss on Quinta-feira, Janeiro 17, 2008 Labels:
dicas, Noam Chomsky

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Tentando escrever sobre a tristeza...

Descobri que a tristeza não termina completamente dentro de nós.
Fica em algum lugar do nosso corpo somatizada como uma dorzinha boba, mas fica principalmente em nosso rosto como uma expressão que não tínhamos antes, como uma sombra que aparece quando ouvimos uma música, uma frase, sentimos um perfume...
Sem as tristezas (decepções, perdas...) eu não seria como sou, seria outra.

Teria um outro rosto que não este.
Como as mudanças são lentas e vamos nos acostumando com elas, sei lá se me reconheceria ao me olhar no espelho, assim de repente, depois de algum tempo.
Não estou falando de rugas, do brilho da pele, da juventude, este doce pássaro que passa rapidamente em nossas vidas. Estou falando de tristeza, como poderia estar falando de alegria. Não estou.
Nem sempre percebemos quando a tristeza se instala dentro de nós como um desconforto, um mal-estar sem motivo, uma insônia prolongada.
Racionalizamos:
- Passou, acabou, foi embora, morreu e vou ter que conviver com isso.
- Perdi o emprego, não passei no concurso, alguém me humilhou em público.
Já passou...
Tentamos continuar em frente sem vivenciar o luto que deveria ser vivenciado até que a tristeza se tornasse mais suave e nos deixasse mais fortes.
Não estou triste. Não sou triste. Fujo da tristeza feita uma idiota, como se isso fosse possível, mas as tristezas que tive não passaram por mim em vão, tornaram-me mais forte.

Fui até o espelho. Eu vejo, como sempre, os olhos de meu pai refletido nos meus olhos. Ele continua vivo em mim.
Sorrio para ele, mas o sorriso duplicado me faz pensar que não sei a sua origem, não sei de quem herdei o meu sorriso, mas vejo-o muitas vezes em minha filha.
Juro que pretendia escrever sobre a tristeza, mas termino com o sorriso luminoso de minha filha Ana e seu sonoro gargalhar, música divina.


Nédier

domingo, 21 de junho de 2009

CANÇÃO DO DIA DE SEMPRE


“Tão bom viver dia a dia...
A vida assim jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...


É só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...”
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Mário Quintana
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Recebi da Marisa Giglio em um pps. - como só ela faz - esta poesia do Quintana e a bela imagem. A sensibilidade da Marisa me comove. Ela sempre me manda o que eu estava precisando ler e refletir.
Obrigada, Marisa.
Nédier