quarta-feira, 27 de maio de 2009

É urgente fazermos um mutirão para debatera crise ou vamos continuar acreditando em falácias...

Eu e João Pedro Stédile
Foto tirada, a meu pedido, durante o Tribunal Internacional dos Crimes do Latifúndio.
maio/2001 - Curitiba
,
É URGENTE FAZERMOS UM MUTIRÃO PARA DEBATER A CRISE
Por João Pedro Stedile
,
1. A sociedade brasileira continua anestesiada em relação ao verdadeiro problema da crise.
A imprensa burguesa tem passado a idéia de que:
a) A crise é cíclica, normal no capitalismo, portanto, logo sairemos dela.
b) A crise é um fato natural, e portanto atinge a todos, devemos nos conformar.
c) A crise não tem culpados. Ela aconteceu e pronto!
d) O governo está certo quando ajuda as empresas para elas darem empregos.
e) O Brasil é um país protegido por Deus e pelo presidente do Banco Central, Sr. Meirelles, e, portanto, a crise aqui terá pouco efeito.Tudo isso não passa de falácias.

2. O governo brasileiro tem atendido a todas as demandas dos capitalistas.

Os banqueiros puderam reduzir a transferência ao Banco Central dos depósitos à vista, ou seja, um reforço de caixa de 180 bilhões de reais com os quais compraram títulos do governo, recebendo 11% de juros.

Os setores industriais terão um reforço de 100 bilhões de reais na caixa do BNDES, retirados do orçamento da União.

As vinte maiores agroindústrias, a Sadia, Perdigão, alguns frigoríficos estrangeiros, receberam 12 bilhões reais para capital de giro.

Os capitalistas do agronegócio, os mesmos que diziam sustentar o Brasil e retiravam dos bancos 70 bilhões de reais como crédito rural, exigiram 150 bilhões, e já botaram na rua 280 mil assalariados rurais. O governo tem acenado com “apenas” mais 98 bilhões.

A segunda preocupação do governo é não contaminar a disputa eleitoral e a terceira é evitar que o clima de crise gere um sentimento de desânimo, com conseqüências incontroláveis. Por tudo isso, está evitando o debate sobre a crise na sociedade.

3. Os partidos políticos já estão em plena campanha eleitoral. Nem querem ouvir falar em crise.

4. Diante desse quadro é urgente que as centrais sindicais, os movimentos sociais e as pastorais sociais, comecemos imediatamente um verdadeiro mutirão na sociedade, para debater a crise.

Essa crise não é cíclica, é estrutural do capitalismo e será prolongada e profunda. E coloca em xeque os padrões atuais de consumo e os recursos naturais, o equilíbrio do meio ambiente.

Nas crises anteriores cerca de 80% da humanidade viviam no meio rural, e tinham melhores condições de resistir à crise do capitalismo industrial.

Agora 80% da humanidade vivem nas cidades. Daí a necessidade de debater políticas publicas que garantam a manutenção das mínimas condições de vida do povo das cidades.

João Pedro Stedile é membro da coordenação nacional do MST e da Via Campesina Brasil